Por Rondinelle Saraiva Saturno
Plantado
as margens do Rio Brígida, o arraial de Granito. Vários antecedentes históricos
nos fazem crer que tal localização não se deu pelo mero acaso. Os primeiros
grupos humanos a se sedentarizarem, fixaram-se em locais estratégicos, às
margens dos rios, pois lhes davam melhores possibilidades de sobrevivência. As
primeiras civilizações se desenvolveram as margens do rio Tigre e Eufrates,
constituindo a região do crescente fértil, do Rio Nilo, mesmo em uma região
desértica e em torno do Mediterrâneo.
s
Os
portugueses iniciaram seu processo de interiorização do território Brasileiro
pelo curso dos rios, assim como foi a estratégia para o adentramento e ocupação
do interior nordestino, beirando as margens
dos rios. Dadas as dificuldades de
uma região de secas, os rios davam melhores possibilidades para A fixação no
território interiorano e realizarem suas alianças com grupos indígenas, uma vez
que os rios sempre foram os locais estratégicos para sobrevivência dos grupos
nativos, lhes fornecia peixes, água e possíveis animais que viessem beber, além
de terras férteis e macias para o cultivo agrícola. Em Granito não foi
diferente, plantada as margens do Rio Brígida, assim como varias outras cidades
circunvizinhas. Às inscrições rupestres no Sitio Jangada e o cemitério de muros
Pedra Seca no Sitio Mato Grosso, Municípios de Granito, apontam a presença de
grupos humanos nativos antes da chegada do homem Branco.
Os
Muros de Pedras Secas mais antigos foram encontrados nas ilhas britânicas,
datam da Idade do Ferro, são muros construídos de pedras sem uso de massa para
sustentar a estrutura, faz-se apenas uso da força da gravidade. Geralmente
construídos em terrenos planos. É feito um rodapé um pouco mais largo na base,
onde é construído dos dois lados, cada lado pende ligeiramente em direção ao
outro estreitando-se no topo para que haja melhor sustentação. os construtores
colocam pedras maiores da largura dos dois lados do muro para que haja ligação
entre as partes, a amarração da estrutura. Esses muros são mais resistentes ao
tempo do que os muros de concreto, pois são mais flexíveis e resistentes a ação
da natureza.
Pela carga de trabalho que tiveram os nativos para transportar e empilhar pedra por pedra, dada a quantidade de pedras que formam os muros do cemitério, certamente se fixaram por um bom tempo nessa região que hoje é o Sítio Mato Grosso, a escolha do lugar também deve ter se dado pela quantidade da matéria prima de fácil acesso encontrada no local, o granito, e as características do terreno. Outra hipótese mais improvável e que se tratou de um surto epidêmico que teria dizimado parte da tribo de uma só vez, o mais comum é que eles largassem os corpos e fugissem da praga. Também é pouco provável que se trate de um massacre coletivo e gerado varias vitimas, pois os grupos da região eram todos Cariris, que recebera esse nome por ser um povo pacato, sendo o significado de cariri, sincero, tristonho e calado dadas a característica pacifica do grupo.
Foto: Cemitério Indígena de Pedras
Seca no Sitio Mato Grosso, 2013.
As inscrições rupestres localizam-se no Riacho Jangada, afluente do Rio
Brígida, no encontro das águas de outros pequenos riachos e córregos de leste a
oeste, norte a sul, formando um vale de terras férteis, local propícios para
ocupação desses grupos Seminômades. O grupo muito provavelmente se trate dos
Índios Cariris que habitaram a região da Serra do Araripe e Serra do Cariri e
desceram pelo curso do Rio Brígida, ocuparam a região onde é hoje Exu e se
prolongaram pelo Rio Brígida e seus afluentes. Não dá para precisar que se
trata do mesmo grupo que ocupou o Sítio Gritadeiras no Exu, mas provavelmente
ambos sejam de origem dos Índios Cariris. As inscrições do Sítio gritadeiras
trata-se de pinturas rupestres antropomórficas e simbólicas, enquanto as do sítio
jangada em Granito, tratam-se de Gravuras rupestres simbólicas. As pinturas são
obtidas a partir da raspagem de alguns minerais, pigmentos vegetais, carvão e
sangue de animais e até mesmo com mistura de mel de abelha, enquanto a gravura é
talhada na pedra em formato de pontilhado formando as figuras. As inscrições do Sítio Gritadeiras são do tipo pinturas, enquanto a do sítio jangada trata-se de
gravuras. O Tridente, as marcações de contagem e a mão gravada na rocha são os
pontos em comum entre as inscrições do Sitio Gritadeiras em Exu e as gravuras
do Sítio Jangada em Granito, além da semelhança topográfica, ambas localizam-se
em vales e são gravadas na rocha de Granito
A imagem do tridente apontando para o chão aparece em várias ocasiões,
como também o pontilhado que pode significar uma forma de contagem de
algo comumente adotado no grafismo pré-histórico, muitas vezes utilizado para
registrar as estações de colheitas, passagem da lua, caças abatidas etc.
FOTO: Inscrições Rupestres
encontradas no sitio Jangada no leito do Riacho da Jangada.
Como a
escrita não havia sido desenvolvida entre os nativos, acreditam os estudiosos
que as inscrições eram uma forma de se comunicarem. A linguagem articulada, simbolizada é algo inerente ao ser humano, a arte pré-histórica representa esse desejo dos grupos humanos de se comunicar, de deixar suas marcas, de entrarem em contato com outros grupos humanos de outros lugares distantes, quando de passagem pelos locais marcados e até mesmo com grupos humanos de outras épocas remotas, como os da época atual, os homens da pós modernidade.
A
poucos quilômetros do achado das inscrições rupestre, se localiza o cemitério
indígena, na margem do Rio Brígida, construído pelos nativos pedra sobre pedra
com a rocha de Granito, abundante na região. Em um solo vasto de baixios plano
e arenoso, propício para o cultivo agrícola e de fácil escavação para que se
construíssem as valas que iriam sepultar seus féretros, pois com os objetos de
corte que foram encontrados no Sítio Jangada, seria preciso um solo de fácil
penetração para facilitar a vida do grupo. As regiões mais altas são
constituídas de lajedos o que se tornaria bastante penoso para o grupo se
tivesse que cavar as covas nesses locais, o que sabiamente buscaram essas
terras macias. As inscrições de mãos configuram das mais antigas formas de
registros encontrados deixadas pelo homem. A foto abaixo dentre alguns símbolos
se encontra a inscrição de uma mão humana, pontilhada sobre a rocha. Se fosse
para comparar o trabalho realizado pelos Pré-históricos no sitio jangada com
algum artista moderno, como certeza compararíamos com o pontilhado de Van Gogh,
artista Impressionista, lógico que a comparação é despretensiosa.

FOTO:
Inscrições Rupestres encontradas no sitio Jangada no leito do Riacho da
Jangada.
Os
artefatos históricos líticos encontrados se tratam de um objeto cortante de
pedra polida com um cabo trabalhado onde seria amarrado a um pedaço de madeira
ou osso, típico do período convencionado pela historiografia como Neolítico,
período da pedra polida, usada à matéria prima do Minério de Ferro, rocha
escura e bastante densa, apresenta um peso acima da média e bastante rígida e
resistente. Embora o artefato possua uma lâmina trabalhada, o seu formato não
pontiagudo indica que estes artefatos não eram utilizados para caçar, mas separar as carnes
dos animais abatidos, trabalhar madeira e até mesmo para escavação do solo, já
que os índios Cariris praticavam a agricultura e sepultavam seus mortos. Outro Objeto lítico encontrado, o batedor triturador,
que em termos gerais, servia para quebrar coquinho, nozes e castanhas, abrir bages
de sementes para confecção de adornos, colares etc. e mais um vestígio que pode
indicar o cultivo agrícola pelos povos nativos em solo granitense dentre outras
atividades do grupo.
É curioso notar que esse tipo de rocha não se encontra na região Semi árida do Araripe, por se tratar de uma rocha cristalina de formação bem antiga, remonta ao período pré-cambriano, o seu afloramento é bem presente na regiões de planalto, por se tratar de uma rocha cristalina, onde vamos encontrar com abundância na região de Minas Gerais e do Pará. Pesquisa mais recentes na história da geologia apontam seu afloramento na região Piauiense de são Raimundo Nonato e Coronel José Dias. Que talvez não por coincidência é onde está localizado um dos mais importantes sítios arqueológicos do Brasil, o qual registra presença dos índios Cariris, que ocupou a região desde o Piauí, em são Raimundo Nonato, a Serra do Araripe e Serra do Cariri, por vários municípios do Piauí, Ceará e Pernambuco, dentre os quais EXU e GRANITO.
Não dá para precisar que se trata do mesmo grupo que ocupou o sitio
Gritadeiras no Exu, mas provavelmente ambos sejam de origem dos Índios Cariris.
As inscrições do sitio gritadeiras trata-se de pinturas rupestres
antropomórficas e simbólicas, enquanto as do sítio jangada em Granito, tratam-se
de Gravuras rupestres simbólicas. As pinturas são obtidas a partir da raspagem
de alguns minerais, pigmentos vegetais, carvão e sangue de animais e ate mesmo
com mistura de mel de abelha enquanto a gravura é talhada na pedra em formato
de pontilhado formando as figuras. As inscrições do sítio gritadeiras são do
tipo pinturas, enquanto a do sítio jangada trata-se de gravuras. O Tridente, as
marcações de contagem e a mão gravada na rocha são os pontos em comum entre as
inscrições do sítio gritadeiras em Exu e as gravuras do sítio jangada em
Granito, além da semelhança topográfica, ambas localizam-se em vales e são
gravadas na rocha de Granito
Provavelmente o grupo que ocuparam o Sítio Jangada e o
Mato Grosso se trate de um mesmo grupo, o que lhe da um caráter seminômade,
característica mais comum entre os grupos indígenas, fixarem em uma determinada
região e quando esta estava se esgotando os recursos naturais migravam e
fixavam em outra região.
Contam os moradores mais velhos que em tempos mais
remotos, era possível se topar com os caboclos nas brenhas das matas. Hoje o
local ainda é visto como um local sagrado e inspira ritos e supertições. Alguns
moradores continuamente frequentam o lugar para acender velas para o que chamam
de “caboclos” pedem proteção e ajuda, mas segundo rezam os frequentadores, não
podem deixar de acender as velas, pois se parar os caboclos vêm aperrear o sono
a noite, cobrando as oferendas. Alguns moradores mais antigos também fizeram
uso do lugar para enterrar os seus, ruínas de tijolos e tumbas comprovam o
feito. Hoje existem outros cemitérios públicos em outros locais na região onde
os moradores realizam seus sepultamentos, e os “caboclos” descansam em suas valas adormecidas.
Os
índios Cariris segundo as pesquisas históricas, são originários da Ásia e
chegaram ao Brasil no período Neolítico pelo curso dos rios Tocantins e
Amazonas, chegando ao Ceará por volta do Sec. IX e X D. C em busca de terras
propicias para manutenção do grupo, encontraram na região do cariri, e
principalmente do Crato um verdadeiro Oasis, dadas as riquezas naturais da
região. O grupo ocupou varias regiões do Nordeste, do curso do Rio São
Francisco, mas teve na região do cariri e na chapada do Araripe o verdadeiro
berço desta civilização. Os mesmos receberam várias denominações segundo o
dialeto falado: Cariris, Jucas, Jenipapos, Jandaias, Icós, Quixeriús,
Calabaças, Fulnies Chocas, Acenos, Romaria e Carius como eram conhecidos a
todos, tendo em vista se tratar da maior tribo Cariri.
Segundo
o testemunho de documentos encontrados, a Serra do Araripe foi desbravada pelo
homem branco povoadores do “ciclo do couro” de Pernambuco, Sergipe e Bahia e
tem-se noticias documentais da presença de missionários que catequizaram os
povos da nação Cariri a parti de 1730. Dentre as missões instaladas na
província de Pernambuco havia a missão da chapada do Araripe.
A presença dos grandes latifundiários
criadores de gado, missionários, foram extinguindo os povos nativos da região,
mas não sem resistência, as nações Cariris de varias regiões se uniram numa
guerra que durou 30 anos na primeira metade do século XVIII, e ficou conhecido
como a confederação Cariri, período em que os nativos lutaram e resistiram
bravamente a dominação do homem branco até serem derrotados. É bem provável que
alguns grupos tenham se dispersado, fugido do massacre e ocupados outras
regiões mais desabitadas, muitos foram catequizados e aldeados. Segundo Elba,
2013.
“O aldeamento
religioso foi um dos elementos da política de catequese indígena posta em prática
no Brasil pela Igreja Católica com total apoio da Coroa. O trabalho das ordens
religiosas foi muito importante para a consolidação do Estado português na
América. A atuação dos missionários com os índios no período colonial deu-se
efetivamente nesses espaços, também conhecidos como missões, que foram criados
para facilitar o trabalho de conversão e, ao mesmo tempo, cooperar com o
processo de colonização através do fornecimento de mão de obra e pacificação
dos nativos”
Aos
poucos foram saindo de cena às figuras dos padres missionários catequizadores.
Por volta da segunda metade do século XVIII, a administrações dos índios começam
a sair da posse do poder eclesiástico para o poder do governo civil oficial,
entrando em cena as camarás municipais, os juízes de Paz, oficias de justiça.
Nas varias missões do Sertão notava-se a ausência da coroa Portuguesa, fugia do
modelo da administração colonial, sendo que tais mudanças na estrutura
administrativa do sertão buscava incluir a região dentro das relações coloniais
oficialmente constituídas.
Este
pequeno relato tenta bravamente lutar com armas rudimentares e pisando em
terrenos desconhecidos em uma busca no escuro, tentando se agarrar a fragmentos
para desbravar um pouquinho que seja da memória do início da história do nosso
povo.
Por:
Rondinelle Saraiva Saturno
FONTES:
Fontes
Primarias: Cemitério de Pedra no sitio Mato Grosso, Inscrições rupestres no
sitio Jangada e Ferramentas líticas de Pedra Polida no sitio Jangada município
de Granito/PE.
Cariris
– Wikipedia a enciclopédia livre.
www.
Inforescola.com/histotia-do –brasil/confederação dos cariris.
Acessogeral.blogspot.com.br/2009/02º-crato-dos-indios-cariris.