TANGENDO O GADO DE LA PRA CÁ, A INTERIORIZAÇÃO DO SERTÃO.
SAÚDO O IMPÉRIO BRASILEIRO,
DA COROA LUSOFONIA.
DIVIDIRAM-SE EM TERRAS VIRGENS,
GRANDES LATIFUNDIOS, SESMARIA.
NA PROVÍNCIA DO LADO DE CÁ,
PRÓSPEROU EM GRANDE DEMASIA.
AUSTERA CULTURA CANAVIEIRA,
AUREOS TEMPOS DE LUSIDIA.
GADO A SERVIÇO DA CANA DE AÇÚCAR,
SINCRONIZADOS EM PERFEITA HARMONIA.
FORÇA MOTRIZ QUE MÓI O TALO,
PRODUZINDO MONOCULTIVO DE IGUARIA.
TODAVIA COM REBANHO ABUNDANTE,
DAS CANAVIEIRAS TERRAS ABSOLUTAS.
PELO AGRESTE FOI ADENTRANDO,
EM FARTAS TERRAS DEVOLUTAS.
FOI TANGENDO DE LÁ PRA CÁ,
COM O GADO ADENTRANDO O SERTÃO.
CARNE VERDE PRÁ O SUL E SUDESTE,
PRA EUROPA, COURO E CHARQUE DE EXPORTAÇÃO.
SEMEANDO POR ESSAS TERRAS A PALAVRA,
FRANCISCANOS E CAPUCHINOS EM CATEQUIZAÇÃO,
ADENTRANDO NO MESMO RASTRO DO REBANHO,
CONVERTENDO ESCRAVOS E ÍNDIOS EM DEVOÇÃO.
TRIUNFA SANTA IGREJA CATÓLICA,
FUNDANDO, ARRAIÁS, VILLAS E MISSÕES.
ORIGINÁRIAS DAS
GRANDES FAZENDAS DE GADO,
DE PLANTIOS DE MILHOS
E ALGODÕES.
ARRIBOU POR AQUI, LA
PELAS TANTAS,
O PADRE MODESTO DE
BRITO.
E NO SIMPLÓRIO ARRAIÁ
DE GRANITO.
COMPROU A FAZENDA
POÇO D’ANTAS,
OFERENDA A MÃE DO BOM
CONSELHO,
EM ATO DE PURA
DEVOÇÃO.
NAS MARGENS DO RIO
BRÍGIDA SE INICIA,
DA SANTA IGREJA
MATRIZ, A CONSTRUÇÃO.
ALTIVO PROGRESSO
CRECENTE,
O POVO SOBERBO E
CONTENTE,
GRANITO SERTANEJA
LOMBARDIA.
DE FREGUESIA PASSOU A
VILLA,
EXU DE VILLA VIROU
FREGUESIA.
BALUATE NORDESTINO,
SOL QUE PELEJA NO
MEU TORRÃO,
RESEQUIDO PELAS
SECAS,
AGUADAS POR ORAÇÃO.
DESTEMIDOS CORONÉIS E
CANGACEIROS,
DE BACAMARTE NA MÃO
CUSPINDO FARPAS DE VALENTIA,
DESAFIANDO A MORADIA
NO MEU LENDÁRIO
SERTÃO.
AUTOR: (Rondinelle Saraiva).
I Inicialmente o gado conviveu harmoniosamente com os canaviais, ora
servindo como força motriz para moagem da cana de açúcar, ora abastecia a mesa
dos colonos em Olinda e Recife, uma pecuária de subsistência, todavia com o
aumento dos rebanhos não havia espaço nas terras do litorâneas para as vastas
plantações de cana de açúcar e as pastagens para o gado, o que forçou os
rebanhos a irem adentrando as terras do interior, primeiro na região do
Agreste, depois em direção ao Sertão. Segundo o Historiador Nelson Werneck
Sodré, o processo de ocupação das terras interioranas perpassou 3 fases do gado,
a primeira no litoral, a pecuária como uma extensão do açúcar, os currais estavam postos nos quintais dos Engenhos, a segunda com a ocupação do Agreste, onde muitos dos pecuaristas ainda eram senhores de Engenho e a terceira fase os
rebanhos seguiram em direção ao Sertão, foi nessa fase em que o curral teria se
separado por completo do Engenho, surgindo grandes pecuaristas que abasteciam o
mercado da colónia, e exportando couro e charque para o exterior, para o sudeste enviavam carne
verde e Couro, sendo uma época de acumula de grandes fortunas. A pecuária Nordestina vive seu momento de declínio com o surgimento de grandes pecuaristas no sudeste, em
especial Minas Gerais, segundo Tatiana Valença Ferraz que nas suas palavras
A
cultura do algodão teve papel importante na economia do sertão do Século XIX, o
Ouro Branco, junto com os rebanhos de Gado foi importante no processo de ocupação das terras interioranas, chegando
a fazer frente a cana de Açúcar, uma vez que o Brasil figurou entre os cinco Países exportadores do Algodão. O Surto do algodão no Nordeste localizou-se nas regiões Semi-áridas, a vastidão de terras devolutas propiciou terras abundantes para o cultivo, o qual foi sendo Introduzido no Agreste Pernambucano, depois em direção ao Sertão acompanhando o curso do Gado e em novas terras. Seu declínio no final do Século está associado
ao surgimento de uma praga que devastou as plantações, o Bicudo.
É sabido que toda essa vastidão de terras que se estendia das margens do Rio São Francisco, beirando a serra do Araripe, em terras que está localizada hoje Ouricuri, Trindade, Araripina, Bodocó, Exu, Granito, Parnamirim à Floresta, Cabrobó, todas essas terras do Sertão pertencia a Sesmaria da Casa da Torre dos Garcia D'avilla. Por serem terras devolutas ocupadas apenas por nativos, sua ocupação foi ocorrendo pelo arrendamento de terras a criadores de Gado, a exemplo da Fazendo Caiçara, arrendada pelo Português Leonel de Alencar Rego, Avô de Barbara de Alencar, um dos Quatro irmão que deu origem a todo o Clã da Família Alencar no Brasil. Orá se deu por herança como no caso das Terras de Brígida Rodrigues de Abreu, filha única de Francisco Rodrigues de Carvalho, que casou-se com uma filha ilegítima do poderoso Dias D'avilla e recebeu como dote uma vasta faixa de terra no sopé da serra da Gameleira, e com sua morte teve como única herdeira Brígida Rodrigues de Abreu, a qual deu nome ao rio que recebia um nome índigena, Paramirim, e passou a chamar-se literalmente como riacho da Brígida. Com o passar do tempo muitos arrendatários foram comprando lotes dessas terras.
Sabemos que mais tarde, as terras de: Leopoldina(PARNAMIRIM), Ouricuri, Bodocó, Granito até Exu pertenceu a Grande Fazenda Cabrobó de Brígida de Alencar, tendo sua filha casado com Martin da Costa Agra, recebeu como dote as terras onde hoje localiza-se Parnamerim, sendo tais os fundadores daquela localidade, consta nos registros que os fundadores de Ouricuri, na primeira metade do Século XIX, compraram terras da extensa fazenda de Gado de Brígida Alencar. Já em Granito consta nos registro da Diocese em Petrolina que no ano de 1858, as Terras da fazenda Poço D´antas já se encontrava parte na mão da Senhora Luiza Maria de Jesus, que Herdou de Seu Pai Serafim Soares dos Anjos e outra parte pertencia a José Peixoto e Silva.
O poder que emanava da chefe de Família das fazenda de Gado, foi constituindo também o poder político local, a exemplo de autoridades da época em Granito como Roque Carlos Peixoto de Alencar, o Tenente Coronel, subdelegado Cornélio Carlos Peixoto de Alencar, o Capitão Pedro Alves de Castro, o Capitão Antonio Pereira de Carvalho, Raimundo Florencio de Alencar, David de Sousa Rego, João Florencio do Nascimento Pajeú, Manoel da Rocha Silveira, Coronel João Silvério de Alencar e também Gualter Martiniano Alencar Araripe, o Barão de Exu, que a partir de 1863 pertenceu a Granito.
No Alto Sertão de Pernambuco, es que se ergue o Arraial de Granito.
Por volta da primeira
metade do século XIX, no território da vila do Exu do termo de Ouricuri,
pertencente à comarca de Boa Vista, hoje Santa Maria da Boa Vista, na província
de Pernambuco do Império Brasileiro, sob o comando do Herdeiro da Coroa
Lusitânia, o jovem Imperador D. Pedro II, se erguia no Alto Sertão de
Pernambuco, próximo ao sopé da Serra do Araripe margeando Riacho da Brígida, a Aldeola de
Granito.
Sentimos
que o termo Sertão carece de melhor entendimento, não obstante iremos adentrar
essa vereda e tão logo retomamos o curso de nossa trilha. O Sertão mais do que
uma localização geográfica remete-nos a um conceito,
O
Sertão da Caatinga, essa vegetação resiliente, que quando a chuva falta, perde
suas folhas para poupar-lhe água e energia deixando a paisagem cinzenta e moribunda,
tão logo a chuva retorna a folhagem aflora como que por encanto “
“Sertão. O senhor sabe: Sertão é onde quem manda
é forte, com astúcia. Deus mesmo quando vier, que venha armado!
Sertão. Sabe o senhor: sertão é onde o
pensamento da gente se forma mais forte do que o poder do lugar. Viver é muito
perigoso (...)
O Sertão é do tamanho do mundo.
Sertão é o penal, o criminal.
O sertão não tem janelas nem portas. E a
regra é assim: ou senhor bendito governa o sertão, ou o sertão maldito vos
governa”
Vemos que o Sertão não é definido geograficamente, também
não apresenta um único conceito formado, são vários Sertões. Para Kalina Silva
é o desertão, o lugar não ocupado pelos colonos açucareiro, não explorado
economicamente. É onde os desertores canaviais, o refugo do bagaço da cana de
açúcar, os que não enriqueceram com os negócios canavieiros encontravam espaço
e terras abundantes e devolutas e aos poucos foram adentrando com a criação do
gado neste solo interiorano de grande demasia. Muitas vezes habitado pelos
nativos os quais tiveram que travar verdadeiras batalhas para adentrar o
interior da caatinga, fazerem suas moradas e abarcar seu latifúndio. Eram
grupos que fugiam do controle social, econômico e coercitivo do poder oficial
do Império Brasileiro e da província de Pernambuco. A Igreja Católica viu no Sertão
a possibilidade de alargar os seus domínios, de catequização dos povos
“bárbaros.” Os padres e missionários virão no sertão uma oportunidade de fundar
aldeias e vilas e ganharem notoriedade, renome. Faz-se perceptível aos que
investiga a história, que a história da fundação das cidades sertanejas está
sempre atrelada a presença dos Padres Missionários e da Igreja Católica.
Foi nesse contexto que lá pelas tantas, no 1855 o Padre
José Modesto Pereira de Brito fez acento por essas terras. Natural da freguesia
de Serridó do Rio Grande do Norte, que até por volta do ano do seu nascimento
estava subordinada a diocese de Olinda, a onde também cursou o seminário. O
Padre Modesto de Brito com sua ação missionária deixou sua marca gravada nesse
chão, foi o construtor da Matriz de Nossa Senhora do Bom Conselho e doador das
terras onde a mesma foi erguida e arredores, dando início a construção do
patrimônio da Mãe do Bom Conselho. O Padre Modesto impulsionou o crescimento e
desenvolvimento da aldeola de Granito ao ponto da mesma ascender rapidamente,de
status e ganhar notoriedade no cenário da província de Pernambuco de século
XIX. Pouco depois da chegada do Padre Modesto ao arraial de Granito, depois de
cumpridos os tramites burocráticos legais, iniciou-se a construção da capela de
Nossa Senhora do Bom Conselho. Já no ano de 1863, a aldeola ganha status de
vila, sendo anexado o território da vila do Exu. Em 1865 também é transferida a
sede da freguesia do meu Bom Jesus dos Aflitos de Exu para Granito.
Pelos
seus feitios e façanhas como missionário desta terra e pelo importante papel na
construção não só de um lugar, mas de um povo, é que o Padre José Modesto de
Brito é considerado o Pai fundador de Granito.
No ano de 1855, quando o Padre Modesto era vigário da
Paróquia de Missão Velha realizou uma permuta com o Padre Arnaud Formiga pela
freguesia de Bom Jesus dos Aflitos da Vila de Exu. Na época a Aldeola de Granito pertencia a
Freguesia de Bom Jesus dos Aflitos em Exu, do termo de Ouricuri, Comarca de Boa
Vista. O Padre Modesto cumprindo seus votos eclesiásticos inicia seu trabalho
de levar o evangelho aos sertanejos da região do Araripe.
Segundo
os Registros da Diocese de Petrolina, catalogados pela Igreja Católica a mando
do Papa Bento XVI, a quem registro nossa imensa gratidão, em ocasião a
comemoração do aniversário de 150 de S. João Maria de Vianey, celebrando o ano
sacerdotal e a memória dos padres que exerceram o evangelho em território
sertanejo, assinado pelo Padre Francisco José P. Cavalcante, 2010. A relação do
Padre Modesto Pereira de Brito com Granito, Inicia-se com a compra da Fazenda
Poço da Anta, (Abrev. Poço D’antas) a Senhora Luiza Maria de Jesus a qual havia
herdado de seu pai, o Sr. Serafim Soares dos Anjos. A outra parte da Fazenda
foi comprada ao Senhor José Peixoto e Silva aos 06 dias do mês de fevereiro do
ano de 1858. O montante do valor das terras da Fazenda Poço na época lhe custou
à cifra de 80$000, (oitenta mil reis). O Vigário fez a doação de metade das
terras da fazenda Poço D’antas para a construção do Patrimônio e da capela que
seria dedicada a Nossa Senhora do Bom Conselho, no valor de 40$000, (quarenta
mil reis). Segundo o Padre José Modesto, em documentação catalogada do livro de
Patrimônio da Igreja de Granito, localizava-se,
O Padre Modesto Provinha de família
abastarda, além do que angariou a quantia de 1.000$000 (um conto de reis) em
ocasião de sua transferência para freguesia do Senhor Bom Jesus dos Aflitos da
Vila de Exu. Consta no livro de Patrimônios da Paróquia de Granito, arquivos da
diocese de Petrolina, a doação de cinco casas construídas pelo reverendo no
terreno da Matriz e ainda o próprio sobrado de morada, no ano de 1877, ano de
sua partida de Granito, quando deixou os serviços sacerdotais da paróquia da
Mãe do Bom Conselho e retornou a sua terra natal, o Rio Grande do Norte. Na
lista de suas doações ao patrimônio da Paróquia de Granito, ainda consta a
imagem de Nossa Senhora do Bom Conselho, esculpida no ano de 1862, para servi
de Padroeira da Matriz, além de todo o madeiramento para cobertura da Igreja
retirado da Fazenda Poço D’antas. As ofertas doadas pelo Padre ao Patrimônio da
Paróquia do Bom Conselho em Granito intencionava contribuir com o aumento do
rendimento da freguesia de Granito. Em relatório do Presidente da Província à Assembleia
Legislativa de Pernambuco é registrado mais um ato de generosidade e boa
intenção para com a melhoria e desenvolvimento de Granito:
“Em
cumprimento da lei provincial n.1,179, art. 22 ( do inciso 5º), autorizei a
compra da casa do Padre José Modesto Pereira de Brito, pelo preço de 5:
000$000, (Cinco contos de Reis) para
servi de paço da câmara municipal, tribunal de jury, cadeia e quartel na Villa
de Granito. Aceitando o proprietário esse preço, menor do que o da avaliação
feita pelo Engenheiro da Repartição das obras públicas, effectuou-se a compra,
e aquelle município com mais algum dispêndio terá uma cadeia e casa da câmara
apropriados às suas circunstância”. (Relatório da Presidência da Província de
Pernambuco à Assembleia Legislativa,Impresso pela Tiphografia do Jornal do
Recife. 1866.)
1.1.Vida
e Obra do Padre José Modesto Pereira de Brito.
Viera ao mundo aos 08 dias de fevereiro de 1818 uma criança em Caicó, Região de Serridó do Rio
Grande do Norte, ao receber o sacramento do batismo na Igreja Matriz de
Sant’Ana do Serridó, untava-se o óleo sagrado no peito de José, mais tarde
atenderia pela alcunha de Padre José Modesto Pereira de Brito. Filho de família
importante e abastarda de Caicó, descendente direto do Português Tomás de
Araujo Pereira, sobrinho do Senador Padre Francisco Brito Guerra, Pároco da
Matriz de Sat’Ana o qual celebrou o batismo de José Modesto. Filho de Joaquim de Santana Pereira
e Maria Tereza das Mercês, figuras importantes de Caicó no seu tempo. José
seguiu os passos tradicionais da família inclinada para o Sacerdócio, ingressando
no seminário de Olinda com seu irmão Francisco
Justino Pereira de Brito, de onde saíram ordenados sacerdote no dia 13 de
Novembro de 1842. Partiu José de volta pra sua terra natal, Caicó. Assumiu a
freguesia de São José da Cariranha como Sacerdote no alto Sertão do São
Francisco. Transferido dali para missão velha tempos depois, inicia a
construção da Matriz de Missão Velha, deixando-a quase conclusa, quando partiu
dali para assumir a Matriz da freguesia do Senhor Bom Jesus dos Aflitos em Exu.
Foi uma figura importante de seu tempo, deixando sua marca com seus trabalhos
eclesiásticos, considerado fundador de Granito, onde dou as terras compradas da
Fazenda Poça da Anta, para construção da Matriz de Nossa Senhora do Bom
Conselho, assumiu ele mesmo a administração da obra da capela, pedindo ajuda ao
Governo Provincial, da população em Geral e até da Imperatriz para erguer a
Igreja.
Pelos seus méritos, recebeu o título de Visitador e
Arcipestre do Alto Sertão de Pernambuco, sendo ainda condecorado Cavaleiro da
Ordem de Cristo. Os “Cavaleiros da Ordem de Cristo,” em sua origem foi uma
ordem religiosa e militar criada pela bula papal Ad ea ex-quibus do Papa João
XXIII, atendendo ao pedido do Rei Dom Dinis.
O Padre José Modesto teve uma fiel companheira que o acompanhou na vida desde Granito até seus últimos dias, Joaquina Gonçalves Cavalcante, Granitense,
com quem teve 5 filhos, sendo duas filhas: Mônica Maria da Ressurreição de
Brito e Maria Euzébia de Assunção Brito, a qual casou-se com o Coronel José
Sancho de Araujo. Teve três filhos: Enrique Pereira de Brito, Pedro Paulo
Pereira de Brito e o Coronel da Guarda Nacional Joaquim Servita Pereira de
Brito.
O
Sacerdote retornou a Serridó em 1871 como vigário da Paróquia de Nossa Senhora
da Conceição, transferindo-se para Granito novamente quando a Villa de mesmo
nome e elevada a categoria de Freguesia, reformando a capela da mãe do Bom Conselho,
tornando-a Igreja Matriz. O Padre José Modesto ainda dou cinco casas que havia
construído na quadra da Igreja Matriz e o próprio sobrado de Morada para o
Patrimônia da Paróquia da Mãe do Bom Conselho. Depois de Granito, o Padre
Modesto ainda viria exercer o sacerdócio na Freguesia de Touro e em Martins. Quando
lhe avançava a idade e a saúde debilitada, retornou de vez a sua terra natal
Acarí, onde passou seus últimos dias e foi sepultado, falecendo aos 21 dia do
mês de Janeiro de 1888 aos 70 anos de idade, deixando saudade e seu legado por
onde passou nesse Sertão de meu Deus.
1.2.Os
desígnios de um certo Reverendo, a História da construção da Matriz de Nossa
Senhora do Bom Conselho.
Mater boni consilii,(Sig. Nossa Senhora do Bom Conselho), Assim
foi gravada esta inscrição na Matriz de Nossa Senhora do Bom Conselho em
Granito, perpetuada nos anais do tempo, perpassando várias gerações e tende a
estendesse a posteridade. A virgem Maria, também invocada como: a mãe do Bom
Conselho, nossa, Nossa Senhora dos Bons Serviços e Santa
Maria do Paraíso, em tempos mais remotos “Senhora Bendita.” Na antiga Albânia,
dentre várias capelas dedicada à mesma estava a de Shkodra, a qual tornou-se o
centro de peregrinação em volta do ícone da imagem da virgem, pintada em
afresco segurando o menino Jesus. A
história da Mãe do Bom Conselho remonta em sua origem a pequena cidade de Scútari, na Albânia do Século XIII. A imagem da
Santa Maria de Scútari tornou-se para os Albaneses um importante centro de
peregrinações, o maior de todo o país. Sua história remonta a lendas e
histórias milagrosas envolta de um afresco da Santa segurando o menino Jesus. A
fé dos Albaneses na Santa, os fizeram resistir bravamente às
invasões do forte Império Turco.
Na província de Pernambuco de meados do Século
XIX, existiu uma casa de caridade no alto sertão de Pernambuco intitulado
Recolhimento de Nossa Senhora do Bom Conselho, como consta no relatório da
Presidência da Província de Pernambuco.
1.Relatório do
Presidente da Província de Pernambuco a Assembleia Legislativa. Impresso na
Tipografia do Jornal de Recife. Província de Pernambuco.
Além do recolhimento, o qual não identificamos sua
localidade exata, só nos é indicado a localização regional, no sertão, e
próximo a data da chegada do Padre Modesto Pereira de Brito na Freguesia de Bom
Jesus dos Aflitos no Exu, de onde iniciaria a construção da capela, e mais
tarde, Matriz de Nossa Senhora do Bom Conselho em Granito. Existiu ainda por
volta da mesma época à freguesia de Bom Conselho na Província Pernambucana, não
sabemos ao certo o grau de devoção do reverendo Padre Modesto pela Mãe do Bom
Conselho, ou o que haveria de ter lhe inspirado, não obstante havia a presença
de uma instituição de caridade e uma freguesia no seu tempo dedicado a mesma
Santa, que tornou-se Padroeira do povo Granitense. No quadro acima podemos
perceber a importância dos missionários capuchinhos na construção das instituições
religiosas e da presença das figuras que trajavam habitas de freiras e, assim
por dizer, tornavam-se as mesmas, as quais exerciam um papel relevante dentro
dessa conjuntura eclesiástica de caridade, abrigo e proteção aos mais necessitados
nesse bravo alto sertão.
Durante o vicariato do Padre José Modesto Pereira de
Brito, a freguesia do Senhor Bom Jesus dos Aflitos em Exu em 1859, exercia o
cargo de vigário coadjuvante e Pró-pároco em Granito, o Padre Antonio Tomás de
Aquino, o qual passou a auxiliar do Padre Modesto da freguesia do Bom Jesus, já
que Granito pertencia a mesma. O Padre Modesto tendo comprado as terras da
fazenda Poço D’antes na aldeola de Granito, doa metade das terras para
construção da capela e do patrimônio de Nossa Senhora do Bom Conselho. Traçou
do próprio punho o esboço da capela a ser erigida, nas palavras do mesmo. “
Esboço do Projeto original da Capela de Nossa
Senhora do Bom Conselho em Granito, feito do próprio punho do Padre José Modesto
Pereira de Brito.
No projeto original a arquitetura da capela apresenta um
modelo mais comum, teocêntrico, com torres altas apontando para cima. Ao longo
dos anos a capela passou por reformas, inclusive da fachada frontal e ganhou um
aspecto mais renascentista e humanista.
O
Reverendo Modesto de Brito abriu o livro de Patrimônios de Nossa Senhora do Bom
Conselho em 1860, para que segundo o mesmo,
O Padre Tomás de Aquino seria nomeado Juiz Comissário da
Comissão formada para legalizar a doação das terras pelo Padre Modesto para
Construção da capela de Nossa senhora do Bom Conselho. O Padre José Modesto
tratou logo de fazer a doação perante um tabelião em Olinda no ano de 1860, de
metade das terras compradas a senhora Luiza Maria de Jesus e ao Senhor José
Peixoto e Silva da fazenda Poço D’antas, a qual havia lhe custado o valor total
das terras, 80$000 (oitenta mil reis). Mesmo com a doação oficial em Olinda
teve que correr os tramites legais da doação das terras pela comissão formada
para avaliar a legalidade da mesma ou possível “pacto ou conluio,” do doador
com algum compassa envolvido no processo. A missa conventual foi realizada em
Granito daquele mesmo ano, o qual solicitava em edital que os moradores que
soubessem de algum
Com o testemunho de três personagens honrados e
respeitados pela população Granitense e da freguesia do Senhor Bom Jesus de Exu,
o Tenente Coronel Roque Carlos de Alencar Peixoto, morador da freguesia de Bom
Jesus, o Tenente Coronel Carlos Peixoto de Alencar, Juiz Municipal e morador da
freguesia, e o Capitão Simão Geraldo de Carvalho, morador da freguesia de Bom
Jesus dos Aflitos em Exu, deram por legal a doação feita pelo Padre Modesto de
Brito para Nossa Senhora, livre de hipotecas, dividas ou quaisquer conluio,
dando por encerrado o processo e legalizando a doação. O Padre modesto assinou
o Auto da posse da capela, onde passou a posse do patrimônio de Nossa Senhora
do Bom Conselho para o Padre Tomás de Aquino. Estava constituído canonicamente
o patrimônio da Mãe do Bom Conselho.
Segundo o Padre Francisco José P. Cavalcante, as
provisões para construção da capela foi assinado pelo bispo D. João da
Purificação no ano de 1861. O Padre José Modesto Benzeu a Primeira Pedra da
Capela no mesmo ano, assim como reza o ritual Romano:
““Certifico, que, tendo se paralisado a obra da Capella de Nossa Senhora
do Bom Conselho [...] isto pela
inconvenientez da Secca do anno próximo passado de 1860, achando-me presente
nesta Povoação hoje, acompanhado do Reverendo Pro Pároco Antonio Thomas de
Aquino e de uma grande parte dos Parochianos desta Feguesia pela nove oras da
manhã , benzi a primeira Pedra da Capella [...] de acordo com o Ritual Romano [...]”(Pe.
José Modesto Pereira de Brito, por Padre Francisco José P. Cavalcante, Padres
do Interior II, Arquivo da diocese de Petrolina, Livro de Patrimônio de
Granito).
Já
no ano de 1873 o Padre José Modesto, mesmo estando como Vigário Resignatário de
Exu, pede autorização para dirigir as obras de construção da capela, que o
próprio transformaria em Igreja Matriz em 1875, sendo autorizado o seu pedido
como reconhecimento de sua devoção e dedicação a Mãe do Bom Conselho e da
doação das terras que o vigário havia
feito:
“
José sacerdote Parocho
Collado, pó devoção sua, dispoi-se erigir , em lugar remoto de sua Matriz uma Capella em honra da Mãe de Deos
[...] neste intento doou, a quatorze anos, uma parte de suas terras, a
Imagem de sua devoção (=a imagem de N.Sra. do Bom Conselho era de
propriedade do padre José Modesto), constituiu Canônico Patrimônio [...]
O lugar cresce mette mãos a Capella ... foi transferida sua Matriz (=a
de Exu) para esta Capella (a de Granito), ainda imprópria. Dando José sua annuencia tácita a
transferência da Matriz , pedio aos fins seu auxilio, já não em favor da
Capella, mas da nova Matriz. [...] com o producto de uma Loteria , que
pode obter da Província , pôs a obra em muito bom pé [...] Resigna José
sua Freguesia, um outro Sacerdote (= Pe.Filipe Rezende Pinto) o
substitui na Administração Parochial.Este; por devoção sua , contando com o
auxilio dos fieis, sem preceder os meios legáes, sem ouvir a José que então se
achava ausente, nem tão pouco ao seu procurador, sérvio de disparte de um
terreno que José havia reservado para a edificação de uma rua própria, e nella
lançou os fundamentos de uma Capella em honra da Imagem de sua devoção. Chega
José faz-lhe ver que elle não podia continuar com o serviço, sem a necessária
licença do Ordinário, e como para fazer communhão com os mais fieis deu-lhe tão
bem a sua esmola, dizendo-lhe que como devia continuar com a sua, o iría
ajudando com o que pudesse, pondo a disposição dos serviços da nova Capella os
terrenos de suas olarias (terras próprias) , e toda a madeira, do que fosse
mister utilizar-se. O Ordinário [o bispo ou um seu representante] porem
irrita o serviço até que esse Sacerdote constituísse , a pretendida Capella
Canônica Patrimonial, feito o qual o auctorizaria para continuar no
serviço [de sua capela]. Morre esse Sacerdote sem constituir o
Patrimônio exigido, José doador, e administrador do Patrimônio da Senhora, da
ordem para erigir a sua que tinha reservado para si, servindo-se da pequena
pareda do oitão da Capella paralisada [...] um outro sacerdote vem
substituir o falecido na administração Parochial, este arroga para si o
direito de obstar a José a continuaçãlo de suas casas, já emadeiradas, e sem
outro título mais do que uma Portaria do respectivo ordinário em que lhe
concede poderes para reger a Freguesia quanto a administração dos sacramentos,
sequer embargos ao serviço de Jose [...].”(Pe.
Jose Modesto, por Francisco José P. Cavalcante, Padres do Interior II, Arquivo
da diocese de Petrolina, livro de Patrimônio Da Matriz de Nossa Senhora do Bom
Conselho, Granito).
O vigário Modesto de Brito aceita de
bom grado administrar a construção da Matriz de Nossa Senhora do Bom Conselho.
Por várias ocasiões houve paralisação na construção da Igreja, a primeira
ocorreu por volta de 1862, por conta da seca e da peste do cólera morbus, que
castigou a população e por falta do apoio do governo, tornando o tempo difícil
para continuação da obra. Embora, encontramos no relatório do Presidente da
Província de Pernambuco o Doutor Clementino Carneiro da Cunha, uma quantia de
24.538$000 ( vinte e quatro contos e quinhentos e trinta e oito mil reis) para
custear as obras das Igrejas e Matrizes, a qual aparece uma cifra destinada a
despesas na construção da capela da Mãe do Bom Conselho como indica no quadro a
seguir:
Como vimos, fora destinada uma
quantia de 714$000 (setecentos e quatorze mil reis), quantia pouco
significativa, tendo em vista que no ano de 1874 o Padre apresentava os gastos com
a ereção da Matriz, até então, a qual estava pronta apenas a capela mor e os
alicerces do restante da Igreja, 6. 072$185 (seis contos setenta e dois mil e
cento e oitenta e cinco reis). Além das doações das terras e madeira para
cobertura da Igreja feita pelo reverendo Modesto de Brito, o mesmo utilizou de
outros artifícios para angariar recursos para a obra. Em carta circular a
população assinada pelo próprio, por Carlos Cornélio Pinto de Alencar e por
Dário José Pinto da Silva, o vigário solicitava ajuda na construção fosse com
trabalho, tijolos ou alfaias. Fazia menção a promessa feita durante o surto do
cólera morbus em 1862, de celebrar uma missa em agradecimento por a população
ter se livrado da peste que assolou o sertão. Com todo o esforço do Padre e
empenho na construção, até por volta de 1873 se celebrava em local impróprio o
qual chamou de santuário particular no dizer do Padre Francisco José, que
segundo o reverendo “... uma casa pouco
decente, como todos não ignorão [...]”(Padre José Modesto). Faz chegar
então uma solicitação a corte no Rio de Janeiro a Imperatriz Dona Maria
Leopoldina, para que a mesma aceitasse o íitulo de Protetora da Igreja de Nossa
Senhora do Bom conselho, e doasse o que lhe abrandasse o coração. O estado da
obra até o presente momento havia alcançada a seguinte evolução: estava
construída a Capela Mor, os camarinhos, os alicerces do corpo e corredores e as
torres da Igreja segundo o qual media 204
palmos decumprimento, 66 altura e 78 palmos de largura. Recebeu da casa
Imperial, emitido de abril de 1875 a seguinte resposta:
"Imo. E Exmo. Senhor. Sua Majestade A Imperatriz (...) Houve Por bem aceitar o título de protetora da Igreja em questão."
A Matriz de Granito recebeu assim a
honrosa proteção de sua Majestade a Imperatriz Dona Leopoldina, esposa do
Imperador Brasileiro D. Pedro II, a qual tinha nacionalidade Austríaca, e
entrou para a família de Bragança ao contrair o matrimônio arranjado com sua
realeza, o Imperador do Brasil, Filho de D. Pedro I, que tinha nacionalidade
Portuguesa e neto do Príncipe Regente D. João VI, já que sua bisavô D. Maria
Antonieta sofria de Problemas mentais a qual impedia de administrar a corte de
Bragança, mais tarde do Reino Unido de Portugal, o Brasil.
Mesmo nas condições da construção da
Igreja de Nossa Senhora do Bom Conselho em Granito, já havia sido transferida a
Freguesia do Senhor Bom Jesus do Exu para Granito no ano de 1865. Em relatório
a Assembleia legislativa, o Presidente da Província expôs as necessidades mais
urgentes dos municípios e freguesias segundo reclamações dos mesmos e relatou a
necessidade da conclusão da Matriz de Granito, um prédio para funcionar os
tribunais e servir de cadeia e um açude no riacho que banha a vila.
A história da construção da Matriz
de Granito atravessou varias décadas, por vários motivos, em várias ocasiões a
construção foi parada pelas secas frequentes, os surtos de cólera morbus, a
falta de recursos para construção e a própria grandiosidade da obra que para
época, um grande desafio, que o Padre Modesto não concluiu em vida. Segundo o
Padre Francisco José P. Cavalcante, em visita Canônica do Bispo de Floresta em
1913, o andamento da Obra se encontrava no mesmo pé que se encontrava no ano de
sua inauguração 1875, a capela Mor e os alicerces, estando parada a construção
durante uns 45 anos. Em 1920, uma nova visita canônica apontava “[...] as fases de construção da Matriz , trabalho caríssimo e de mau gosto" Segundo Padre Francisco, podia estar se referindo a ampliação que fica visível pela diferença na largura dos arcos e paredes.
Quando o Padre José Modesto de Brito
deixa a paróquia de Granito no ano de 1877, e retorna ao Rio Grande do Norte
como administrador do Patrimônio de Nossa Senhora do Bom Conselho, nomear um
procurador para administrar interino o patrimônio da santa, o Senhor Gonçalo
José Peixoto da Silva, que na ocasião do falecimento do Padre Modesto em 1888,
Jurou na vila de Granito na casa do Juiz de Capelas, o Doutor Augusto Siqueira
Cavalcante, cumprir os deveres do cargo.
Mesmo sem ter findado sua obra, o
legado do reverendo José Modesto Pereira de Brito foi transmitido por toda a
posteridade, para todas as gerações que lhe sucederam em Granito, o Padre não
só foi responsável pela construção da Matriz, mas pela construção de um povo.
Amigo do vigário de Ouricuri e Deputado Francisco Pedro da Silva, sobrinho do
Senador do Rio Grande do Norte os quais muito lhe ajudaram na sua luta pelo
sertão e pelo povo Granitense, de simples aldeola, quando o Padre pisou aqui, o
Arraial de Granito logo passou a vila, freguesia e sede da freguesia invertendo
os papéis com a vila do Exu quando Granito fazia parte da Freguesia do Senhor
Bom Jesus dos Aflitos. Foi transferida também a Matriz da Paróquia do Bom Jesus
do Exu, para a Mãe do Bom Conselho em Granito, pouco tempo depois de sua morte
foi criado a comarca e passa a Município independente.
No projeto feito a punho da matriz
de Granito, o Padre traçou um modelo de arquitetura, mais comum do que a atual
estrutura, dentro dos padrões Medievais. Todavia ao longo das décadas de sua
construção e reformas foi ganhando formas da arquitetura renascentista. A
maioria das Paróquias apresentam modelos Teocêntricos com torres altas apontando
para o céu e o traçado das linhas na vertical, apontando para Deus dando a
ideia de que o plano terrestre é somente uma passagem para outra vida, para um
plano maior de divino. A paróquia de Granito hoje apresenta um modelo mais
humanista, com linhas horizontais chamando atenção para o plano terrestre, para
a grandeza do homem, até que o padre Isidório em reforma, traçou linhas
verticais cruzando as horizontais dando um equilíbrio entre deus e os Homens. O
Numero 3 sagrado para a cristandade, que
tantas vezes aparece na Bíblia, está visível na fachada da Igreja, com três
torres discretas, três cruzes, três portas em forma de arcos frontais que dão
acesso ao interior da Matriz. No teto da Matriz esta posta uma grande cruz,
símbolo do Cristianismo, a mesma cruz em que cristo foi crucificado e
sacrificado pela humanidade, ladeado por doze arcos, seis de cada lado dando
sustentação à estrutura da Igreja, podem muito bem representar os doze
apóstolos, o que no conjunto representaria muito bem a Santa Ceia.
2.0.A ELEVAÇÃO DO ARRAIAL DE GRANITO AO
STATUS DE VILA.
Com a decadência
do Exu antigo, onde a população diminuía e crescia a povoação do novo Exu, com os
prédios se desmoronando e com o desenvolvimento do Arraial do Granito com a
povoação de Exuenses, a construção de uma Igreja que se tornaria Matriz em
Granito e o desenvolvimento da Aldeola após a chegada do Padre José Modesto, o
Granito é elevado a categoria de vila no ano de 1963, durante a presidência de
Manoel Francisco Correia na Província de Pernambuco, tornando-se sede do termo
de Exu, e pouco depois em 1865 torna-se também sede da Freguesia subordinando a
Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Aflitos em Exu a Paróquia de Nossa Senhora do
Bom Conselho em Granito. Veja.
.
QUADRO - 3
3.FONTE: Diccionario Tophografico, Estatístico e
histórico da Província de Pernambuco, Manoel Honorato da Costa, 1863. Impresso
por: Tiphografia Universal do Recife, Rua do Imperador, 1863.
No
ano anterior, em 1862, quando Cabrobó que também pertencia a comarca de Boa
Vista, recebeu sua comarca torna-se independente de Boa Vista e Leva consigo
parte do território o qual estava incluso o Termo de Ouricuri, a freguesia de
Exu e a Aldeola de Granito. Granito passa então a pertencer a comarca de
Cabrobó. Nos chama atenção ainda o fato
da recém criada Vila de Granito já existir uma cadeira de instrução Pública
Primária, que era destinada somente para o sexo masculino, enquanto as mulheres
eram excluídas do sistema de Ensino, reproduzido uma cultura machista do
dominador. Em documentação de relatoria do província, um poço posterior, encontramos um pedido de transferência de um
certo professor, da cadeira de ensino do Exu antigo para Granito, o mesmo
alegava que a localidade estava em decadência e já não havia mais alunos a quem
se ensinar.
Não foi de bom grado e sem resistência que Exu se deixou
transferir a sede da vila e da freguesia para Granito. Ao que parece houve quem
acusasse o Padre Modesto Pereira de Brito de ter influenciado na transferência.
A reverendo foi defendido pelo amigo Senador e Pároco de Ouricuri, todavia não
fez objeções a transferência e até achou pertinente, embora o Segundo o Padre
Francisco José o Reverendo fizesse questão de mostrar que não tinha
participação na transferência da Matriz de Exu para Granito, depois se mostrou
a favor, segundo o qual estava
A Câmera Municipal
de Exu tratou logo de enviar um relatório reclamando a transferência.
4. Relatório da Presidência da Província de Pernambuco a assembleia legislativa,
impresso pela tipografia do Jornal do Recife – 1863.
Nos primeiros anos de
nascimento da vila de Granito, esta também já apresentava suas reclamações ao
presidente da província alegando precisar esta municipalidade de uma cadeia
pública e uma casa para suas sessões de trabalho de Juri e de um cemitério,
pois os mortos estavam sendo enterrados em campos, salvo aqueles que construíam
catatumbas as suas custas, lamentando por Câmara não ter recursos para acudir
semelhantes necessidades, principalmente aquelas pertinentes ao cemitério,
apontando que o balanço de receitas e despesas não permitia pagar seus
funcionários em dias, solicitando assim providencias a assembleia pelos estado que
se encontrava a vila. Mais tarde encontramos a negociação da província de
Pernambuco com a casa do Padre Jose Modesto para servi de Camara e Cadeia e
tribunal de Juri, que no dizer próprio era arejada e tinha espaço apropriado as
circunstâncias.
Na década seguinte houve uma melhoria no quadro de
receitas apresentado pela camara de Granito no exercício de 1875 – 1876. Veja.
5 . Relatório da Presidência da Província de Pernambuco a assembleia legislativa,
impresso pela tipografia do Jornal do Recife – 1876
Como
vimos, a receita apresentada pela Câmara de Granito foi de 1.269$732 (um conto
duzentos e sessenta e nove mil e setecentos e trinta e dois reis, enquanto as
despesas foi inferior a arrecadação, o equivalente a 990$380 (novecentos e
noventa mil e trezentos e oitenta reias, apresentando um saldo favorável de 279$352
(duzentos e setenta e nove mil trezentos e cinquenta e dois reis. Renda bem
superior a de Exu com apenas 431$500 (quatrocentos e trinta e um mil e
quinhentos reis) de arrecadação e despesas semelhantes restando um pequeno
saldo de 7$920 (sete mil e novecentos e vinte reis. Sendo ainda superior a
outros municípios como Ouricuri e Salgueiro. No exercício anterior de 74 – 75,
a Camara de Granito apresentou um quadro ainda mais favorável com maiores
receitas arrecadadas e menores despesas gerando um saldo favorável ainda maior,
que foi de 1. 576$332 (um conto quinhentos e setenta e seis mil e trezentos e
trinta e dois reis) de arrecadação enquanto as despesas somaram 750$000
setecentos e cinquenta mil reis menos da metade da arrecadação municipal,
ficando com saldo de 826$332 (oitocentos e vinte e seis mil e trezentos e trinta
e dois reis. Com o crescimento da freguesia de Granito, em poucas décadas de
simples aldeola logo se tornou Comarca, criada pelo Juiz de direito Alfredo
Afonso Pereira em 1890. Pelas leis províncias na condição de freguesia e
comarca, mesmo não tendo ainda alcançado status de cidade ainda o Granito se
torna Município Independente e autônomo em 1893.
A
estrutura administrativa da Província se dava verticalmente da seguinte forma:
No topo da hierarquia havia a Província na hierarquia administrativa, a o
Diocese na Hierarquia Eclesiástica, a Província se dividia Judicialmente em
Comarcas que se dividia em Termos, os Termos quase sempre se referia a um
Município, o Município tinha como sede uma Cidade ou Vila e quase sempre
corespondia a uma delegacia. Abaixo da hierarquia eclesiástica da Diocese
estavam as Paróquias, raramente os Curatos, as quais a Diocese se dividia e
Correspondia a uma Freguesia. Os Termos se dividiam em Distritos de Paz
Enquanto na hierarquia Policial havia as Delegacias quase sempre
correspondentes a um Município, as quais se dividiam em subdelegacias. Havia
Municípios que existiam as Delegacias e Subdelegacias para atender aos
distritos, vilas e povoação daqueles Municípios. Como vimos pela estrutura administrativa e
Leis Provinciais era possível uma Vila tornar-se um Município, e Granito na
qualidade de Vila, Freguesia e Comarca se tornou Município autônomo pela
primeira vez no ano de 1893, há exatos 121 anos passados.
2.1.A
Câmara Municipal da Freguesia de Granito.
6 . Relatório da Presidência da Província de Pernambuco a assembleia legislativa,
impresso pela tipografia do Jornal do Recife .
As
câmaras municipais existem no Brasil desde o ano de 1532, ocasião em que São
Vicente na região sudeste, foi elevada a categoria de vila. É mais uma herança herdada
dos colonizadores portugueses. No período colonial faziam parte da câmera, além
dos vereadores que pertenciam à elite local, assim chamados “os homens bons,”
eleitos pelo voto do povo, o procurador, juiz e o escrivão, para o mandato de
três anos. Existia ainda um representante da coroa nomeado pela corte Imperial.
A instituição da Câmara de Vereadores tinha funções bem amplas, eram de serem responsáveis
diretos pela administração da vila, desde questões referentes a impostos,
estradas, calçadas, cuidar da limpeza pública a regulamentar o comércio, as
profissões, os ofícios, enfim eram responsáveis pela vida administrativa da
localidade. Geralmente existiam as câmeras cadeias, pois além das funções
administrativas, exerciam também funções policiais e jurídicas. Somente existiam
câmeras as localidades que ganhavam o status de vila.
Nesta
conjuntura as câmeras tornavam-se mecanismos de dominação política da elite
local sobre a população mais desfavorecida, vez por outra, a própria coroa
portuguesa se via obrigada a realizar intervenções nas câmeras devido ao abuso
de poder destes com a população. Durante o Período Imperial de (1822 a 1889) o
poder das câmeras e retraído, ficando a cargo das mesmas apenas as funções
administrativas, as mesmas são impedidas de exercerem jurisdições contenciosas.
O voto neste período era censitário. Com a independência do Brasil, veio a
primeira constituição Brasileira de 1824, que instituiu o voto censitário no Brasil,
o qual durou até 1891, quando foi extinto. Para votar o cidadão tinha que ser
maior de 24 anos, ter renda anual de 100$000 (cem mil reis), para ser
candidato, ter renda de 400$000 (quatrocentos mil reis) para deputado e 800$000
(oitocentos mil reis) para candidatar-se a senador. As mulheres, escravos e a
população mais marginalizada da sociedade eram excluídos do processo eleitoral.
Dessa forma apenas um percentual mínimo participava do processo eleitoral. Veja
no quadro abaixo, a relação de parte dos colégios eleitorais, municipais e
Paróquias da Província de Pernambuco na época. Chamamos atenção para as
paróquias de Granito e Exu.
Como
vimos no quadro acima, pelos critérios estabelecidos na constituição de 1824,
que estabeleceu o voto censitário, foram registrados 9 eleitores da Paróquia de
Nossa Senhora do Bom Conselho e 12 da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Aflitos
do colégio eleitoral do Exu, somando 21 eleitores no total. A província contava
com um quadro de 36 colégios, 72 paróquias e apresenta um total de 2074, (dois
mil e setenta e quatro) eleitores em Pernambuco.
As eleições se realizavam em dois turnos, em um primeiro
turno se elegeriam um colégio eleitoral, para eleger em um segundo turno os
deputados, senadores e membros do conselho da província.
Por
ocasião do falecimento do Visconde de Suassuna, que ocupava o cargo de senador,
imediatamente a Câmara deliberou aprovar as eleições Paróquias dos eleitores
especiais de diversas paróquias, dentre as quais a Paróquia de Nossa Senhora do
Bom Conselho em Granito, presidida pelo cidadão José Lopes Machado do colégio
do Exu. Tendo sido adiada as eleições de várias paróquias dentre as quais a do Senhor Bom
Jesus dos Aflitos do colégio de Exu e de Nossa Senhora do Bom Conselho em Granito.
Adiante veremos parte do discurso de Gualter Martiniano Alencar
Araripe, O Barão de Exu, em ocasião a criação da Junta Conservadora, o Partido
Conservador na Villa de Granito em 1868. Filho de Luiz Pereira de Alencar era
sobrinho de Barbara de Alencar e primo do Escritor José de Alencar e primo
legítimo de Cornélio Carlos Peixoto de Alencar., Tornou-se proprietário da
Fazendo Caiçara por herança da família. Em seu discurso faz referência a 1863
ano em Granito vira villa e Exu torna-se Freguesia de Granito, como uma
fatalidade que" negam os direitos do Cidadão Brasileiro" Ao final dá
Vivas a União Conservadora, ao Imperador e também aos perseguidos do Exu.
O partido conservador defendia a ordem
estabelecida e um governo forte e centralizado, na ocasião o Imperador D. Pedro
II, aqueles que detinham os títulos No Império a lógica e que defendessem o
Império e o Imperador. O Barão de Exu era fiel aos ideais Imperialistas. Gualter Martiniano na época de seu Baronato, bem que podia ser considerado também o Barão
de Granito, já que Exu era Freguesia de Granito, situação que perdurou até
1907, o mesmo faleceu em 1889 ainda sendo Exu Freguesia de Granito. Na época do II Império no Brasil
Existia Basicamente três Partidos: O partido conservador, Republicano e Liberal.
Temos notícias da existência de dois partidos em Granito na época, o partido
conservador e o partido liberal
A Frente do Partido Liberal da Vila de Granito, estava o Coronel
Raymundo Florêncio de Alencar, Irmão
de João Silvério de Alencar, o qual viera a se tornar prefeito de Granito já no
período Republicano, ainda sobre Raymundo Florencio, era sobrinho da Professora
Jacinta Cândido de Alencar, cidadão influente na Região tendo sido Vereador da Villa
de Granito, casado com Minervina Idalina de Souza Ferraz foram pai e mãe do Influente político Manuel Florêncio de Alencar, que teve sua vida política dividida entre Granito e Barbalha, era Pai de Mozart Cardoso de Alencar, médico, poeta e escritor, considerado um dos maiores intelectuais da região, ainda foi Prefeito de Juazeiro do Norte e assinou o óbito do Padre Cícero. No ano de 1876 Raymundo Florêncio entra com recurso contra a
decisão da junta revisora da qualificação dos votantes da Freguesia de Granito,
da comarca de Ourycuri, alegando que o Juiz de Paz Raymundo Cyriaco de Carvalho
havia recorrida em falta Grave contra a Lei Eleitoral, que impedia O Juiz de
Paz de acumular os cargos de Juiz e Professor, consegue na ocasião tornar nulo
todo o processo de qualificação dos Eleitores feita pela junta revisora da
Paróquia de Granito, não tendo havido eleições na ocasião. Enquanto os
Conservadores defendiam um Governo Central forte os Liberais defendiam a
autonomia das províncias e deputados eleitos pelo voto do povo, que os
representassem, porém como o voto na época era censitário poucos podiam votar,
homens maiores de 21 anos de idade e que detinham determinadas posses
A HECATOMBE, O DESEMBARQUE DO CHOLERA MORBUS EM NAVIOS EUROPEUS
A
chegada do cólera morbus no Brasil em 1855, causou tumulto entre a população e
grande preocupação por parte do poder público, médicos e Civis. No Brasil já se
acompanhava a doença mesma quanto está ainda jazia na Europa causando pânico, uma
vez identificada com a Peste Negra Medieval. Foram feitos sacrifícios de
animais em massa, Gatos, cães, pombos e principalmente dos Porcos, pois no
imaginário a respeito da doença, acreditavam ser este o responsável pela
infecção da cidade do cólera. Uma das medidas sanitárias frente ao cólera foi a
mudança quanto a certos hábitos da população, os quais estava o de se enterrar
seus defuntos no interior das Igrejas, no cemitério colada as Igrejas. Como
medida de proteção foi-se construindo os cemitérios mais afastados das Igrejas
para evitar o contato frequente com as covas de defuntos de doenças
contagiosas.
Dentre as várias medidas adotadas pela
comissão de higiene da província de Pernambuco estavam: Sujeitaram-se a
quarentena todo navio a vapor ou vela precedente da Europa de portos suspeitos.
Todo navío que provier de portos onde reina o cólera morbus estaria sujeito a
desinfecção imediata, as roupas, mercadorias e objetos dos passageiros seriam
conduzidos para o Lazarreto e submetido à quarentena. Se algum navio precedente
da Europa não apresentar carta de limpeza será submetido a medidas de
higienização prescritas pelo funcionário competente que poderá ordenar banhos e
outros cuidados corpóreos a tripulação, o deslocamento das mercadorias mesmo a
bordo, submersão no mar das substancias alimentares, lavagem das roupas ou
equipagem, limpeza no porão, evacuação completa das águas, desinfecção das
câmaras, ventilação de partes profundas por meio de mangas ou outros aparelhos,
fumigação de cloro, a esfregadura, lavagem do navio e mesmo a transferência de
passageiros para o Lazareto, todo devendo ser executado antes que o navio
desembarque. No caso de ter sido notada a presença de algum acometido pelo
cólera, este seria imediatamente transferido para o lazareto onde passaria pela
quarentena e tomadas as prescrições que seria levado a rigor. (Relatório
Temos noticias da chegada do Cólera Morbus
em Granito 7 anos após a mesma ter desembarcado em portos brasileiros, em 1862,
quando o Padre José Modesto Pereira de Brito, faz suas lamentações por conta
construção da Matriz de Granito, que esteve parada durante este ano por conta
das secas e da chegada do Cólera Morbus. Alguns cálculos no relatório da
Presidência, apontavam a população da província em torno de 300.000 almas,
sendo o número de óbitos em torno dos 30.000 óbitos nos municípios afetados, a
décima parte da população.
No
seu dossiê temático de História pelo Programa de Pós Graduação em História pela
UFPB, Jucieldo Ferreira Alexandre aponta que os Carirenses haviam temido a
entrada do cólera no Cariri pela via de Pernambuco entre (1855 a 1856). Em 1862
o delegado de Exu havia tomado uma medida preventiva contra o cólera, criando
um cordão sanitário na chapada do Araripe, impedindo a passagem de qualquer
viajante advindo do cariri ou outros municípios afetados. Criou-se piquetes nas
estradas com torras de paus retirados da floresta e homens armados obstruindo a
passagem dos viajantes, que para o jornal “ “sem
consentir sequer uma pausa para descanso e alimentação. Alguns desses viajantes
chegaram a ser presos e conduzidos até “a falda oposta da serra, e já tem
havido quem, recalcitrando, volte com a cabeça quebrada!” (O Araripe, 23.08.1862, p. 4).”
Para
livrar-se do Cólera Morbus o Senhor Guálter Martiniano de Alencar Araripe, o
Barão do Exu, fez uma promessa a São João Batista para que o mesmo livrasse seu
povo da praga, prometendo-lhe em troca erguer uma Igreja em seu nome na fazenda
caiçara, no Araripe, e assim o fez, desde então todos os anos o povo exuense
comemoram o dia de São João Batista, festejam em memória ao Santo que os teriam
livrado da peste do Cólera Morbus.
3.1.A
História dos Cemitérios em Granito, a hierarquia dos Enterros.
O
surto do Cólera Morbus deixou sua marca no sertão, não somente pelas vidas ceifadas,
que não foram poucas, em Granito mudaram-se os costumes do povo no modo de
enterrar seus defuntos. Com o surto epidêmico desembarcados da Europa, ao mesmo
tempo em que se buscavam medidas de higienização e salubridade pública, como
deixar de enterrar os defuntos no interior ou no cemitério da Igreja, buscando
construir cemitérios um pouco mais afastados para evitar o contato diário com a
população, por outro lado com o volume crescente dos defuntos, houve a
necessidade de se construir esses cemitérios próximos às cidades e vilas, dadas
as dificuldades do falecido receber os sacramentos e encomendações em locais
afastados. A partir dos surtos epidêmicos, os médicos começaram a questionar os
sepultamentos nos corpos nas Igrejas, sendo a população obrigada a mudar os
hábitos e a mentalidade ao ponto de ter sido promulgada uma lei na Bahia que
proibia o sepultamento no interior das Igrejas.
Por
essa época, tinha-se o costume de transportar os féretros em uma rede, posto um
mastro no sentido horizontal da rede amarrando as duas extremidades da mesma,
seguia o cortejo fúnebre com o falecido a balançar-se na rede estrada adentro. Dois
homens um em cada extremidade transportando-o enquanto uma terceira pessoa a
frente carregava a cruz do defunto no sentido da vila para receber os
sacramentos e ser sepultado. Com as ameaças da doença, as autoridades trataram
logo de fechar os cemitérios interno das Igrejas do Araripe, notoriamente houve
mudanças nos costumes de se enterrar e variações. Nos Documentos Catalogados da
Diocese de Petrolina nos livros de óbitos e Parvulos, pelo Padre Francisco José
P. Cavalcante, passou-se a enterrar, em locais sagrados como Próximo a uma
Cruz, ao pé da Santa Cruz da Matriz de Granito, em catatumba, em catatumba
alugada, abaixo do cruzeiro, em catatumba tipo carneiro etc.
O
Padre Felipe Benício Resende Pinto, tendo sido vigário cooperador do Padre José
Modesto Pereira de Brito, vicariou em Granito entre 1867 a 1873 aproximadamente.
Tem-se notícias que o mesmo construiu um cemitério em Granito no ano de 1869,
acredita o Padre Francisco José ser o Cemitério Público, e haveria outro Cemitério
o qual era conhecido como “
Temos
notícia da construção de um novo cemitério paroquial em Granito por volta de
1929, pela Padre Joaquim de Alencar Peixoto, o qual mandou construir o
cemitério e uma estrada de acesso à mesma com recursos provindo do apostolado
da oração, taxas de foro, do Próprio vigário e da doação de um cordão com
crucifixo de ouro da Senhora Raimunda Honorina Peixoto à Padroeira, que teria
sido vendido pelo Padre Joaquim Peixoto por 700$000 (setecentos mil reis)
gastos na construção do cemitério. Raimundo Praia e Dodô foram os Pedreiros
encarregados da Obra. Por se tratar de um cemitério Paroquial, e na época já
ser Nossa Senhora do Bom Conselho a Padroeira da Matriz de Granito, e provável
que se trate do atual cemitério de Nossa Senhora do Bom Conselho, na atual Rua
Antonio Simeão Rodrigues, popularmente conhecida como Rua do Cemitério.
Os
quadros 8 e 9, referem-se aos sepultamentos feitos no “Cemitério desta Villa de Granito”,
“no cemitério público desta villa de granito”, em catacumba da matriz de
granito”, em carneiro na capela São João da Araripe”, “no cemitério desta vila
abaixo do cruzeiro,” em catacumba reservada no cemitério desta villa,” (de Granito) no cemitério desta villa abaixo do
cruzeiro,”(Granito) cemitério público do novo Exu,” no cemitério publico de São
Joaquim desta freguesia de Exu.” (Padres do Interior II)
QUADRO
– 8
Nome do defunto
|
Cor
dos Hábitos Mortuários
|
Causa
da Morte
|
Cor/Nível
Social
|
Observações
|
Delmira Cordolina
de Alencar
|
Preto
|
Ataques
Histéricos
|
Branca
|
Ano de 1864.
Sepultada Grades acima.
|
Francisco Leite
Rabelo
47 anos.
|
Preto
|
Ataque epópletico
|
|
Ano
de 1865. Encomendado solenemente Pelo Pró-Pároco de Exu, Padre Antonio
Almeida.
|
Barbara Maria de
Jesus
19 anos
|
Preto
|
Histérismo
|
|
Recebeu todos os
Sacramentos, encomendada pelo Padre José Modesto Pereira de Brito
|
Capitão Francisco
Pereira Coelho, 75 anos.
|
Envolto em
hábitos de São Francisco
|
|
Capitão
|
Ano de 1867.
Sepultado Solenemente ao pé da Santa Cruz da Matriz de Granito. Sepultado em
catatumba tipo carneiro.
|
D. Manoela
Francisca do Nascimento, 31 anos.
|
Pretos
|
Estupor
|
Branca, Esposa do
Capitão Antonio Pereira de Carvalho
|
Ano de 1869.
Confessada
|
Maria Ibiapina de
Jesus,
|
Hábitos de Freira
|
|
|
Ano de 1874.
Sepultada em frente ao Cruzeiro ao lado esquerdo da capela. Foi confessada
recebeu outros sacramentos. Teve enterro solene. Sendo tratada com muito
carinho pelo padre.
|
Castora
Maria, 58 anos.
|
Pretos
|
Moléstia
Incógnita.
|
Branca
|
Esposa
de Amaro José Peixoto.
|
QUADRO
– 9
Nome do defunto
|
Cor
dos Hábitos Mortuários
|
Causa
da Morte
|
Cor/ Nível
Social
|
Observações
|
Francisco
Cordeiro da Silva, 52 anos.
|
Brancos
|
Morto
de Tisica
|
Pardo
|
Adquiriu
catatumba própria,recebeu os sacramentos e teve missa de corpo presente.
Sendo o único pardo sepultado em catatumba
|
José
|
Branco
|
Dor
Ciatica
|
Cabra.
Escravo do Major Dário da Silva Peixoto
|
Foi
confessado e recebeu os sacramentos.
|
Luiza,
30 Anos.
|
|
Aborto
|
Escrava
do Tenente Coronel Luiz Pereira de Alencar
|
Ano
de 1872. Não recebeu os Sacramentos. Sepultada abaixo do cruzeiro,
encomendada pelo Padre José Modesto.
|
Maria
Thereza de Jesus
|
Branco
|
Congestão.
|
|
Não
foi encomendada.
|
Barbara
Maria da conceição
|
Branco
|
Parto.
|
|
|
Protário,
49.
|
Branco
|
Pluris
|
Escravo
do Padre José Modesto Pereira de Brito.
|
Foi
casado com a escrava Blandina
|
FONTE:
PE. Francisco José Pereira Cavalcante, Padres do Interior II, coletado em
Arquivos da Diocese de Petrolina. Livro de óbtos de Adultos.
Fazendo
uma análise comparativa entre quadro 8 e 9, onde metodicamente coletamos as
informações, separamos nas duas tabelas tendo como marco divisor a cor dos
hábitos dos defuntos, o que consequentemente gerou outras subdivisões. Tal
parâmetro nos permitirá algumas conclusões a respeito do mesmo. No quadro 8,
todos os defuntos foram sepultados de Hábito pretos, foram também os que
receberam os sacramentos devidos, ou enterrados solenemente. Eram: brancos,
capitão ou esposa de capitão. Quando não aparecem sepultados de preto, estão
envoltos de hábitos de São Francisco ou de Freira. Enquanto que no quadro 9, todos
foram sepultados em hábitos brancos e eram ou pardo, cabra, ou escravo, as
vezes nem recebiam encomendação, ou a os sacramentos devidos.
Observemos
que o escravo José, diagnosticada a causa da morte dor ciática, foi confessado
e recebeu os sacramentos, no entanto se tratava do escravo do Major Dário da
Silva Peixoto, e mesmo assim, foi sepultado em hábitos brancos. Quanto a
Francisco Cordeiro da Silva, no que aparenta, era conhecido e tinha certa
condição, pois nos registros é o único pardo sepultado em catatumba. Adquiriu
catatumba própria, recebeu os sacramentos e teve missa de corpo presente, mesmo
assim foi sepultado em hábitos brancos, como também foram sepultados de branco
aqueles que tiveram causa de morte parto e aborto.
Neste
ínterim, podemos concluir que havia uma hierarquia dos enteros, uma divisão
por condição social, cor e causa de morte. Os pertencentes às classes mais
abastadas, livres e brancos eram sepultados de hábitos pretos, o que
simbolicamente representa o luto. Enquanto os escravos, de nível das camadas
sociais do populacho e não brancos, não tinham os mesmos direitos cristãos, o
que nos revela que a Igreja Católica não se eximia das relações de poder do
Brasil Imperial, estava amplamente entrelaçada nesta teia ou cadeia das
relações de poder constituídos de direito ou conquistado pela lógica coercitiva
da época.
4.0.O
CONTINGENTE POLICIAL, E A HISTÓRIA DA CADEIA EM GRANITO.
No
inicio da Década de 60 do Século XIX, havia na Província de Pernambuco 45
Delegacias e 171 subdelegacias, o estado das mesmas quase sempre deixava a
desejar, funcionando em prédios alugados de particulares, quase sempre não dispunha
das acomodações adequadas aos fins necessários, com limitações no número de
presos de que poderia comportar e quase sempre necessitando de consertos e
reparos. O corpo Policial da Província apresentava o número de 500 praças
distribuídos pelo número de Delegacias e Subdelegacias supracitados. A Polícia
ainda reclamava de aumento dos vencimentos, alegando insuficiência,
principalmente quando estes eram destacados para o interior, em áreas afastadas.
No
ano 1867 o relatório provincial descrevia a prisão de Granito como funcionando
em casa particular, sem acomodação ou segurança. Como vimos no capítulo 1,
Houve uma autorização do Presidente da Província para a compra de uma casa de
propriedade do Padre José Modesto de Brito para servir para este fim e outros
mais, no valor de 5:000$000 (cinco contos de reis), que segundo relatório,
seria apropriada a suas circunstancias. Já em 1870 o relatório apresentado à
assembleia legislativa da Província apresentava um quadro de 51 cadeias
existente na Província, das quais apenas 19 achavam-se em estado regular e
prestarem-se a seus fins, dentre elas a de Salgueiro, Leopoldina (Parnamirim),
Exu e Granito. No relatório de 1874 o estado da cadeia de Granito era
apresentado da Seguinte Forma:
10 . Relatório da Presidência da
Província de Pernambuco a assembleia legislativa, impresso pela tipografia do
Jornal do Recife – 1874.
Como
vimos, às acomodações da cadeia de Granito comportava um número razoável de detentos,
descrito com capacidade para abrigar 30 presos do sexo masculino e ainda um
quarto para mulheres e o xadrez dos soldados os quais não foram descritos a
capacidade de mulheres e soldados que podiam comportar. Todavia outro dado nos
chamou atenção, o fato do imóvel ser descrito como de propriedade particular,
não sabemos ao certo se a compra da casa do Padre Modesto de Brito par tal fim
se efetuou, pois nos parece que houve algumas mudanças de endereço da cadeia de
Granito nestas duas décadas. Na década de 60, além de funcionar como cadeia,
era descrito como que também para servir de Câmara, e tribunal de Júri, nos
documentos posteriores não encontramos menção desses órgãos funcionando junto a
cadeia, o que pode ter havido uma separação.
O
quadro a seguir demonstra a importância em reis, dos aluguéis das cadeias, dos
quartéis e das cadeias e quartéis concomitante, onde os prédios eram de
propriedade de particulares.
QUADRO
– 11
11 . Relatório da Presidência da Província de Pernambuco a assembleia legislativa,
impresso pela tipografia do Jornal do Recife – 1880.
Para
a cadeia e quartel de Granito era pago pelo governo provincial a importância de
20$000 (vinte mil reis) mensais, e 25$000(vinte e cinco mil reis) para a cadeia
de Exu. No mais, os valores pagos pelos alugueis das cadeias dos outros
municípios eram igual e na maioria das vezes inferiores a Granito e Exu, 3$000,
5$000, 6$000, 9$000, 10$000, 12$000 etc. O que demonstra que os prédios dos
mesmos deviam estar entre as melhores estruturas de cadeias, na época, dos
prédios alugados. No relatório de 1880, o estado da cadeia de Granito era
descrito como sendo "É de propriedade particular a casa
que serve de cadeia nesta Villa. Está Bem conservada, offerece a precisa
segurança e pode comportar até vinte presos.”(Jornal da Província de Pernambuco), Já em 1881 as condições de segurança da cadeia de Granito aparecem como sendo, boas,
estado de conservação bom, comportando 20 presos e em condições de higiene
regular.
A
presidência da província, em 1865 reclamando da insuficiência da força de linha
que presta os serviços de segurança, manda que a Guarda Nacional seja destacada
para os municípios do interior, para maior eficiência da ação das autoridades
no sentido de repressão contra a baderneira de bandidos e criminosos armados a
percorrer o sertão e prevenção contra os delitos. Apresentou o contingente
policial de Granito os quais consta os seguintes números: Oficiais 1,
inferiores 1 e 20 praças, somando um destacamento de 22 homens da lei para
fazer a guarnição de Granito. Em 1870 o contingente policial de Granito havia
acrescido 30 soldados no seu quadro, que agora apresentava os seguintes
números, Oficiais 1, inferiores 1 e 50 soldados.
Nos
arquivos províncias ainda encontramos a nomeação de alguns cargos que
compuseram o quadro administrativo e o poder oficial na vila de Granito. Foi
nomeado por decreta provincial de 14 de Dezembro de 1864, o Juiz Municipal de
Granito o Bacharel Ângelo Caetano de Souza Cousseiro. Mais tarde aparece o
Bacharel João Franklim de Alencar Lima como Juiz Municipal de Granito. Em 1877
aparece como Juiz Municipal de Granito e Exu o Senhor Candido Alves Machado, em
outra ocasião, o Bacharel Augusto Frederico Siqueira Cavalcante. Em 1876 foi
nomeado promotor público de Ouricuri, o qual pertencia Granito, o Bacharel José
Gomes Coimbra, Sendo ainda nomeados os adjuntos dos promotores públicos, dentre
os quais foi nomeado para atender Granito, Joaquim José Ribeiro. No quadro da
divisão policial da província de Pernambuco na década de 60, encontramos como
subdelegado da subdelegacia de Granito o Senhor Cornélio Carlos Peixoto de
Alencar Filho e como subdelegado de Exu Jesuino de Araújo Albuquerque.
O
quadro – 12 demonstra os promotores adjuntos exonerados dos quais consta a
exoneração de Alexandre Geraldo de Carvalho no dia 13 de Outubro de 1875 do
Termo de Granito, o qual agora pertencia a comarca de Ouricuri e não mais de
Cabrobó, como ocorreu em 1862, quando deixou de pertencer a comarca de Boa Vista,
e passou a pertencer a comarca de Cabrobó. Demonstra ainda o ano da criação do
foro civil de Exu, o qual foi anexado ao termo de Granito que era sede da
Freguesia o qual Exu pertencia.
12. Relatório da Presidência da
Província de Pernambuco a assembleia legislativa, impresso pela tipografia do
Jornal do Recife – 1875.
A
força policial e o aparato legal do estado, vivia em constante conflito com os
foras da lei. A ocupação das terras interioranas foi acompanhada pelo conflito
de civis com o estado, que não conseguiu dar as condições necessárias para
manter a paz e tranquilidade no alto sertão de Pernambuco, marcado muitas vezes
pela ação de Coronéis, dos cabras machos que vez por outra topavam com a
policial e tentavam fazer frente ao estado desafiando-o. Nos números policiais
da provincial, referentes a crimes acometidos, a tomada de presos, fuga de
presos da cadeia e arrombamento de cadeia é bastante comum na época, ocorria
frequentemente em várias freguesias, dentre as quais vamos citar alguns crimes
para vislumbrar melhor esse quadro. No começo da década de 60 foram registrados
os seguintes crimes:
Caruarú...................Tomada
de presos 1
Homicidios 1
Brejo
.......................Tomada de presos 3.
Boa
Vista .................Tomada de Presos 1.
Ofensa Physica
leve 1
Ouricuri........................Fuga
de Presos 1
Arrombamento de cadeia
1
Exú
...........................Tomada de Presos 1
E
assim seguem estes números por várias outras freguesias, o qual demonstra o
constante conflito da lei e os civis na província, o que veio a agravar-se mais
ainda com as constantes secas, onde carecia de intervenção da Província na
ajuda contra os efeitos moribundos dos flagelados provocados pela mesma. Em
1876 foram criadas comissões especiais para amenizar os efeitos da seca que
perdurava 2 anos e maltratava os Nordestinos. Tendo as chuvas do meio do ano
melhorado “
“os indigentes habitantes de
Garanhuns, Buiuque, São Bento, Bom Conselho, Flores, Baixa Verde, Villa Bella,
Boa Vista, Ouricury, Cabrobó Exu e Salgueiro se acham a Braços com o flagela da
Seca e ameaçados de perecer de fome por serem raros os gêneros de primeiras
necessidades, e só por preços exorbitantes poderem ser obtidos o que apareciam
no mercado, não poder ser indiferente a aflição daqueles infelizes.”(Relatório
da Província)
Entendendo ser esse um
dos casos em que o Governo deve intervir com o socorro aos que sofrem, foi
aberto um crédito para serem empregados na compra e transporte de viveres para
serem enviados e distribuídos entre a pobreza. Distribuindo gêneros alimentícias
segundo a necessidade. O quadro 13 é um recorte, existente outros municípios
atendidos, o qual focamos no objeto de nosso interresse.
13.
Relatório da Presidência da Província de Pernambuco a assembleia legislativa,
impresso pela tipografia do Jornal do Recife .
Como
demonstra, Exu recebeu a ajuda de gêneros alimentícios dos quais 100 sacos de
farinha, 30 sacos de milho, 10 sacos de Feijão, 2 sacos de arroz e 120 arrobas
de carne seca para serem distribuídos entre a população faminta.
Para
piorar os efeitos da seca, a província tinha outro fator agravante,
preocupar-se em guarnecer com força policial as vilas e cidades para conter a
onda de saques a fazendas e comércio. No Sertão Nordestino em um contexto de
Secas e fome, desmando de Coronéis e insuficiência da força coercitiva do
aparato provincial, surge bandos armados, saqueadores, que no discurso do
governo eram bandidos armados e malfeitores, verdadeiros inimigos da ordem
pública. Divididas as opiniões sobre a verdadeira identidade dos cangaceiros,
ora aparecem como bandidos, malfeitores, um mal a ser exterminados, ora como
heróis, figuras símbolos da bravura e resistência. O fato e que para as
volantes policias organizadas pelo governo para banir o banditismo do sertão,
estes eram um verdadeiro cólera e ser curado no cano do bacamarte. Nos anos de
secas se notava o aumento das estatísticas criminais com os Bandos de homens
armados que cresciam em toda a província os quais contavam com a impunidade,
assaltando e praticando assassinato. A fim de restabelecer a Lei no Império, o
Governo empregou recursos a fim de distribuir pelo interior da província toda
força policial possível, todavia quando estava pondo em prática seu plano,
recebeu do Presidente da Província do Ceará um ofício o qual o mesma comunicava
a falta de segurança nas propriedades e na vida da população, dada a ação de
bandidos armados nas comarcas de Crato, Jardim, Lavras e Barbalha.
Mandou
então o Governo Provincial de Pernambuco, guarnecer por fortes destacamentos as
Vilas de Salgueiro, Cabrobó, Granito, Ouricuri e Vila Bela a fim de perseguir a “horda de criminosos.” O comunicado ainda
se estendeu as Províncias da Paraíba e Rio Grande do Norte afim de que a soma
das forças pudessem operar de acordo com as forças postas no Ceará. Seguiu
então para Ouricuri, Exu, Triunfo, Granito, Salgueiro e Vila Bela,
destacamentos de 1ª linha guarnecendo-os de forças volantes, o que das forças
combinadas dessas localidades com as demais províncias, veio os resultados: “ Graças a esse systema de perseguição, os
facinorosos, que d’antes zombavam dos esforços empregados isoladamente aqui e
alli para os reprimir, foram activa e seguidamente acossados, perdendo d’elles
d’alguns a vida, sendo capturados muitos outros dispensados os bandos.” ... "Dentre
os quais se sobressaia pelo número de audácias os capitaneados pelo celebre
Adolpho Rosa, vulgo Meia Noite. O qual vinha aterrorizando em constantes sobressaltos
a população da Ingazeira, se vendo agora reduzido em um pequeno grupo disperso".
Veja os números polícias de 5 anos com relação a criminalidade na província de
Pernambuco:
ANO CRIMES
1874...................................338
1875......................................341
1876.....................................286
1877..........................................
1878
.....................................650
O número de crimes alto para a época na província de
Pernambuco tinha a contribuição da ação dos bandos armados que percorriam o
sertão. No ano de 1878 teve seu ápice com a elevação para 650 crimes, um
aumento de mais de 100 por cento em relação há alguns anos anteriores. O que
revela o desmando no sertão e a dificuldade das autoridades de manter a ordem
no interior da Província. Temos notícias mais uma vez da presença dos
Cangaceiros em Granito em 1927, quando o Padre Joaquim de Alencar Peixoto,
relata não ter havido a arrecadação do Foro da Igreja, onde os foreiros haviam
se evadido da cidade, por conta da seca e da ação dos cangaceiros, que agora
numa situação inversa, o Reverendo reclamava por estes estarem recebendo apoio
das autoridades locais.
Em 1926, tendo Lampião adentrado o Granito com um Bando em grande número, a população amedrontada teria buscado refúgio na casa paroquial. O destemido Padre Peixoto tratou logo de se adiantar em procurar Lampião e o levou a sua casa, e após uma boa prosa do reverendo em particular com o cangaceiro, Lampião reuniu seu Bando e arribaram da Cidade, foram embora, pagando inclusive as despesas feitas nas bodegas do Granito.
Não sabemos ao certo se tratar do mesmo evento, todavia, segundo Optato Gueiros, em sua Obra: Memórias de um Oficial Ex-comandante de Forças Volantes. O Padre Peixoto que era da Família Alencar do Exu, Filho de Hortulana de Alencar Peixoto, Sobrinha de Barbara de Alencar, com o Voluntário da Pátria Felismino Marques Peixoto, tendo o mesmo publicado uma obra em que acusava o Padre Cícero da culpa de ter mistificado o povo sertanejo e ter transformado Juazeiro em um antro e escola de facínoras de todo nordeste, sendo Lampião fanático do Padim Ciço, segue o diálogo " - Então Padre Peixoto, dizem por ai que o senhor escreveu um livro contra meu padrinho Cícero? - Qual virgulino, respondeu o sacerdote, o livro não foi contra o meu colega e seu padrinho e sim contra um Beato que explorava com o nome dele. E assim sofismou para que lampião lhe deixasse em paz".
Temos mais notícias do Cangaço em
Granito numa Entrevista concedida por Luiz Gonzaga, de quando ainda menino, tendo lhe causado um certo contentamento da oportunidade de conhecer Lampíão, pois sendo admirador de cabras valentes, Lampião tornou-se um ídolo, na entrevista descreveu o caminho que os Cangaceiros deviam fazer em direção a Juazeiro onde iam visitar o Padim Ciço " Ja saiu do Granito (...) vai subir a serra pela ladeira do Bacu. Deve passar na Caiçara, que é o caminho melhor. Granito, calumbi, Barriguda, Monte Belo, passa por aqui, vai a Gameleira, Bacu e Ceará". Tendo causado grande alvoroço e tumulto na fazenda caiçara.
No arrolamento dos Cangaceiros e suas localidades e areas de
Atuação no Jornal do Recife, temos registros do arrolamentos dos cangaceiro: Manoel Frutuoso,
Manoel Francisco de Granito, e Os recentes Cangaceiros descobertos em Barbalha
que atuavam de Barbalha pela Serra do Araripe e Caririzinho, na época
pertencente a Granito, Bom de Vera(Manoel Marcelino) e o Vinte e Dois (João
Marcelino).
Muita coisa já se viu neste chão cru protegido pela Mãe
do Bom Conselho, pestes como o Cólera Morbus, que castigou de forma tão cruenta
nosso povo do Sertão, continuadas secas flagelando a população, que faminta se
arriscaram a toda sorte de destino como meio de sobrevivência, até mesmo o
cangaço foi uma forma encontrada para fugir da fome, dos desmandos e da
miséria, como se viver atirado na Caatinga roendo pau para saciar da sede,
assaltando fazendas e quem passar na estrada transportando quaisquer ração, já
não fosse uma verdadeira miséria. Todavia o povo sertanejo sempre resistiu
bravamente a tudo isso por que como dizia o autor “o povo sertanejo é antes de
tudo um forte.”
POPULAÇÃO DA VILLA DE GRANITO NO II IMPÉRIO.
Em 1874 a População em torno da
Paróquia de N.S do Bom Conselho na Villa de Granito, segundo dados oficiais da
Província, era de 3.783 pessoas, sendo o montante da população distribuída da seguinte forma: Eram 3.619 pessoas livres, 161 eram escravos e 3
estrangeiros. Sabendo ler eram 1083 e 2700 analfabetos. Sem contar a Paróquia
de Bom Jesus dos Aflitos em Exu a qual era freguesia de Granito. Considerando ainda que a extensão territorial era maior que a atual. A divisão administrativa da província na época, se dava da seguinte forma:
Província, Comarca, Termo e Paróquia e Freguesia. A Igreja ainda exercia forte
poder temporal. Granito por essa época já era Termo e chegou a ser comarca em 1893.
Confira no quadro abaixo na segunda coluna.
Antes mesmo do ato solene da Assinatura da Lei Áurea em 1888 pela Princesa
Izabel a qual tornava todo escravo livre a partir daquela data, a presidência da Província de Pernambuco já havia saído à frente na
emancipação de seus escravos destinando uma Quantia de 200.000$000, (duzentos
contos de Reis) sendo já 4ª quota para libertação de Escravos. Granito e demais
Villas da Província já haviam emancipados uma quantidade significativa de Cativos
em 1882. A Villa de Granito libertou 145 escravos, recebendo uma quantia 340$750(trezentos
e quarenta mil e Setecentos e cinquenta Reis) de indenização pela emancipação
dos mesmos, o que certamente seria destinados a seus donos, a cada escravo foi
destinado uma quantia de 2$350 (dois mil e trezentos e cinquênta reis). Até 1885 por meio de providências contidas por leis províncias e pela diligência de associações beneficentes, Pernambuco havia distribuído 6 quotas de emancipação de Escravos, Granito não participou da 1ª quota de libertação, na segunda quota recebeu 779$193 ( setecentos e setenta e nove mil e cento e noventa e tres reis), na terceira 389$628 trezentos e oitenta e nove mil e seiscentos e vinte e oito reis), a 4ª quota esta descrita acima, a 5ª quota recebeu 204$450 (duzentos e quatro mil e quatrocentos e cinquenta reis) e na 6ª quota 192$130 (cento e noventa e dois mil e cento e trinta reis), Não possuímos dados sobre o montante da população escrava liberta em Granito ao longo dos anos, apenas no ano de 1882 possuímos esses dados em detalhes, na quarta quota. O próprio Padre Fundador, José Modesto
Pereira de Brito, Possuiu Escravos em Granito, como o escravo que consta no registro de óbitos
de nome Protário, casado com Blandina.
O Quadro abaixo ilustra a 4ª quota distribuída na Província de Pernambuco e a quantidade de cativos libertos:
Como veremos, em 1909 já no período republicano em que várias vilas ganham o status de cidade pela nova organização administrativa, mesmo Granito tendo perdido o território da vila de Exu e Leopoldina, mas ainda contando com as porções de terras onde hoje localiza-se Bodocó, Moreilândia e Caririmirim, sua população era de 8.000 habitantes.
NA VELHA REPÚBLICA DOS CORONÉIS, GRANITO TORNA-SE CIDADE.
Chilon
Heráclio Peixoto e Silva, foi Promotor Público em Granito ainda no período
Imperial, e Prefeito de Granito na República Velha, República dos Coronéis, em
1909. Filho de Dário José Peixoto e Carlota da Costa Luna, era neto de Maria
José de Alencar Rego e Bisneto de Leonel de Alencar Rego por parte de mãe. Sua avó Maria José de
Alencar Rego era Irmã de Joaquim Pereira de Alencar, pai de Barbara de Alencar,
por tanto, Tia de Barbara de Alencar, sendo Heráclio Peixoto Primo segundo de
Barbara de Alencar. Josefa Pereira de Alencar, mãe de Cornélio Carvalho Peixoto
de Alencar, pai de Cornélio Carlos Peixoto de Alencar , era Irmã de Barbara de
Alencar e Sobrinha de Maria José de Alencar, Avó de Heráclio Peixoto.
Cornélio
Carvalho Peixoto de Alencar, pai de Cornélio Carlos Peixoto de Alencar era
filho de Josefa Pereira de Alencar, irmã de Barbara Pereira de Alencar e irmã Luiz
Pereira de Alencar, pai de Gualter Martiniano Alencar Araripe, o Barão de Exu,
por tanto, o Barão de Exu era primo legítimo de Cornélio Carvalho Pereira de
Alencar e primo segundo de Cornélio Carlos Peixoto de Alencar. Sendo Heráclio Peixoto neto de uma Tia de
Gualter Martiniano Alencar Araripe, e tia Avó de Cornélio Carvalho Peixoto de
Alencar. Sendo o Barão de Exu sobrinho de Barbara de Alencar.
Chilon Heráclio Peixoto de Alencar foi casado como Delmira Florinda de Alencar e Silva, tiveram 2 filhos: Theresa Candida de Alencar e André Carlos Augusto Peixoto de Alencar. Teve 4 irmãos: Dario José Peixoto de Alencar e Silva, José Peixoto de Alencar e Silva, Roldino José Peixoto e Silva e Canuto José Peixoto e Silva, casado com Brasilina Carlina Peixoto. Como Tristão Gonçalves e José Martiniano Alencar Araripe, heróis da revolução Pernambucana de 1817 e da Confederação do Equador são Filhos de Barbara de Alencar, Cornélio Carvalho Peixoto de Alencar é Primo Legítimo dos Revolucionários e seu filho Cornélio Carlos Peixoto de Alencar, primo segundo, sendo o Escritor José de Alencar Filho de José Martiniano Alencar Araripe, Cornélio Carvalho Peixoto de Alencar e seu filho Carlos Peixoto de Alencar eram seus primos em 2º e 3º grau. e também primos do Barão de Exu.
O
advento da República não transformou de uma hora pra outra os poderes locais
estabelecidos no Império Brasileiro, como veremos em Granito, havia um monopólio
Politico das famílias tradicionais, Peixoto, Alencar, Luna, tanto na ocupação
dos cargos de Prefeitos como do Conselho da Intendências Municipais, o poder
que emanava das famílias Patriarcalístas, detentoras da posse da terra e bens
que acabaram por consolidar os poderes locais. O poder das elites
latifundiárias conservadoras se arrastou para a estrutura de poder da velha
república dos Coronéis, todavia a República buscando romper com os velhos maus
hábitos de ineficiência e corrupção das Câmaras Municipais, “dos Homens Bons”, típicas
do poder conservador e obedientes ao poder Imperial, tratou de eliminá-las,
extinguindo-as da estrutura politico-Administrativa do poderes locais em todo o
País. A República que trazia no seu germe os princípios do poder Federalista, tratou de criar o Conselhos de Intendências
Municipais dando mais autonomia aos municípios.
As Intendências
Municipais tinham poder político-administrativo, econômico, assim como saúde e
segurança. Vejamos na íntegra os mandatos dos Prefeitos de Granito durante a
República velha, República dos Coronéis e como foram constituídos os Conselhos de
Intendência Municipais em Granito:
CHILON
HERÁCLIO PEIXOTO E SILVA – 1909, Prefeito Municipal de Granito, Sub-Prefeito: Óctaviano Francisco José Peixoto.
Conselho
da Intendência Municipal de Granito:
Presidente
do Conselho:
Tenente Coronel Manoel Antonio de Luna.
Vice
Presidente do Conselho: Verissimo
Peixoto de Luna.
Conselheiros:
Capitão
João Silvério de Alencar.
Pedro
Ferreira da Costa Modesto
Raymundo
Cassiano da Cruz.
Secretário: Manoel Francisco de Souza Leão
Tesoureiro: Dario José Peixoto de Alencar e Silva
Agentes
Fiscais:
Tenente Coronel Galter Peixoto de Alencar
e José Joaquim de Oliveira.
Porteiro: NicolauTolentino da Silva
ÓCTAVIANO
FRANCISCO JOSÉ PEIXOTO – 1910, Prefeito do Municipio de Granito. Sub- Prefeito:
Conselho
da Intendência Municipal de Granito:
Presidente
do Conselho:
Tenente Coronel Manoel Antonio de Luna.
Vice
Presidente do Conselho: Verissimo
Peixoto de Luna.
Conselheiros:
Capitão
João Silvério de Alencar.
Pedro
Ferreira da Costa Modesto
Raymundo
Cassiano da Cruz.
Secretário: João Cesário Leão
Tesoureiro: Dario José Peixoto de Alencar e Silva
Agentes
Fiscais:
Tenente Coronel Galter Peixoto de Alencar
e José Joaquim de Oliveira.
Porteiro: NicolauTolentino da Silva
JOÃO
PEIXOTO DA SILVA – 1915,
Prefeito do Município de Granito.
Sub-Prefeito: Verissimo Peixoto de Lima.
Conselho
da Intendência Municipal.
Presidente
do Conselho:
Capitão João Silvério de Alencar.
Vice
Presidente do Conselho: Alexandre
Sabino José Peixoto.
Conselheiros: Aureliano Peixoto da Silva
José
Gregório
de Souza.
Martinho
Severiano de Alencar.
Virgolino
Alves de Sucena.
Pedro
Ferreira Costa Modesto
Raymundo
Cassiano da Cruz.
Secretario: João Cesário Leão.
Tesoureiro: Dario José Peixoto de Alencar e Silva
Agentes
Fiscais:
José Sabino da Silva Peixoto
Manoel
Joaquim de Oliveira
Porteiro: Nicolau Tolentino da Silva
JOÃO
SILVÉRIO DE ALENCAR – 1917, 1921, Prefeito do Município de Granito
Sub-
Prefeito: Manoel Antonio
de Lima
Conselho
da Intendência Municipal
Presidente: João Silvério de Alencar Sobrinho.
Vice
Presidente:
Simão Geraldo de Carvalho
Secretário: Cornélio Carlos de Alencar
Conselheiros: Alexandre Sabino
Gualter
Peixoto de Alencar
João
Pontes Simões
Joaquim
de Salles Coutinho
Manoel
Ferreira Lima
Manoel
Ignácio de Souza
Pedro Ferreira Costa Modesto
Procurador: Antonio Dias Parente.
Tesoureiro:
João Gregório de Souza
Advogado: Joaquim Florentino de Alencar
Fiscal
e Porteiro:
Nicolau Tolentino da Silva
CORONEL MANOEL ANTONIO DE LIMA - 1926, Prefeito do Município de Granito.
Sub-Prefeito: Sabino Alexandre Peixoto. Vamos inserir o próprio Jornal abaixo ilustrando não só o Conselho da Intedência como diversas outras atividades do Município. Todas as informações acima são comprovadas por esse mesmo modelo de documentação.
É importante analizar que, como podemos visualizar quase sempre o Sub-Prefeito viera a se tornar Prefeito um pouco mais tarde e que o Presidente do conselho de Intendência Municipal ou tornou-se Prefeito mais tarde ou já tinha sido prefeito, o que demonstra para nos a importância do cargo, o Intendente, que pelas funções que a Intendência ocupava dentro dos Municípios na Velha República, como já foi dito acima, acabava sendo um cargo de grande Influência locais.
Consta nos dados do IBGE que Sob tutela do Prefeito Manoel Antonio de Luna, Granito é rebaixado a condição de distrito de Bodocó em 1938, perdendo de vez sua autonomia administrativa e liberdade política, não encontramos o Prefeito nos Registros, mas consta que em Granito o Cidadão de nome Manoel Antonio de Luna ocupando outros cargos públicos é bem provável que Manoel Antonio de Lima como aparece no jornal, seja na verdade Manoel Antonio de Luna, uma vez que as datas coincidem, foi exatamente durante o governo de Manoel Antonio de Lima, como consta no Jornal que Granito perde a cede do Município, o mesmo fato ocorreu com Verissimo Peixoto de Luna, Sub-Prefeito, que as vezes aparece como Verissimo Peixoto de Lima.
Em 1909 Granito tornou-se cidade pela primeira vez, logo em
seguida é desmembrado o território de Exu e criado o distrito de Bodocó e
anexado ao território de Granito. Na década de vinte chega a Granito a figura
de outro Padre notável, Joaquim de Alencar Peixoto, dentre seus inúmeros
feitos, criou dois cemitérios em território Granitense e construiu a Capela de
Santa Terezinha na Aldeola de Sítio dos Moreiras da vila de caririmirim,
pertencente a Granito na época.
Em
1924 é sede do município de Granito é transferida para Bodocó, onde permaneceu
até 1938, quando Granito perde de vez status de cidade e município a passa a
pertencer ao recém criado município de Bodocó como distrito anexado.
AS FÁBRICAS DE CAROÁ
O
surgimento das Fábricas de Caroá em Granito, foi possibilitado pela instalação
de uma grande fábrica de Caroá em Caruaru-PE, montada por José de Vasconsellos
e Silva, rico proprietário das fazendas de algodão e de grande influência
política em Pernambuco, o primeiro empresário no nordeste a possuir um avião
próprio para vasculhar suas fazendas. O Empresário teve a ideia de montar uma
filial de suas empresas em Caruaru com o beneficiamento do Caroá. Após viajar
pelo sertão e ver o povo raspando aquela fibra, teve a ideia de realizar o
mesmo procedimento de fiação do algodão, então em viajou para a Inglaterra
levando a fibra do Caroá para testar nas máquinas de fiar e teve um excelente
resultado. Montou assim uma moderna fábrica de Caroá em Caruaru com máquinas
bastante moderna na época, trazidas da Inglaterra e montou todas as fazes da
Produção, o que possibilitou o escoamento da produção da fibra de Caroá de
Granito para seu beneficiamento em Caruaru. José de Vascosellos tocou o negócio
junto dos filhos que deu continuidade as fábricas após sua morte em 1944.
Com
a perca do status de cidade e município independente para Bodocó, Granito
passou por dificuldades, tendo todo o aparato administrativo sido transferido
para Bodocó, grande parte do funcionalismo, instituições municipais, Granito
entra em um período de decadência. Amenizando essa situação surge em Granito na
década de 40 às fábricas de Caroá, construída por um cidadão Cratense, Daldemar
Peixoto, tendo vendido mais tarde para Alencar Aires e Gilberto Aires do Exu,
após ter se envolvido em uma querela com Chico Praxetes, e sido ferido por um
golpe de Navalha. Após surgiu outras fábricas espalhadas pelo distrito, no Sítio Tombo do Senhor Osmundo, descendo para o Mata Boi tinha 2 usinas de Paulo Saraiva, essas em Serrita. Em Granito a
fábrica se localizava onde hoje é o prédio da prefeitura Municipal. As fábricas
empregavam, homens, mulheres e até crianças, sendo uma saída em tempos
difíceis. As máquinas desfibravam o Caroá para serem transportados para Caruaru,
onde eram industrializados na fabricação de cordas, sacos estopas e tecidos,
nas festas religiosas socorria o povo da escuridão, onde se puxava energia
motorizada da fábrica para iluminar a paróquia.

Em Granito as fases
da produção se iniciava com a extração da folha do Caroá na Caatinga de onde
eram transportados de Jumento até as fábricas, chegado às chamadas Usinas o Caroá era desfibrado pelas máquinas desfribiladeiras, cada máquina comportava duas pessoas, na fase seguinte da produção o Caroá era estendido ao sol para secar, após a secagem os batedores
realizavam o trabalho de amaciar o Caroá, para depois passar pelas cortadeira ficando
padronizadas no tamanho de 70cm, quando eram transportadas para Caruaru para
beneficiamento e distribuição para vários locais do país e exportação para Europa
Os anos 60 anunciava um novo tempo para
o povo Granitense. Antes de ser deposto pelo golpe militar de 1964, o então
Governador de Pernambuco, Miguel Arraes de Alencar, através de decreto assina a
liberdade política e administrativa de Granito no dia 20 de Dezembro de 1963.
Granito torna-se cidade outra vez, sendo nomeado Prefeito o Sr. Manoel Porfírio
(1964-65), com a missão de marcar as eleições municipais que elegeram pelo
sufrágio universal o Sr. Aderson Coelho (1965-69), primeiro prefeito eleito
pelo povo da nova era emancipativa de Granito. Sucederam em seu pleito os
Senhores Prefeitos:
ØFRANCISCO
GIVALDO DE ALENCAR SAMPAIO 1970-1972;
ØONOFRE
EUFRÁSIO DE LUNA 1973-1976;
ØESMERINDO
ALVINO DA SILVA 1977-1982;
ØMANOEL
CORDEIRO LACERDA 1983-1988;
ØHERNANDES
LACERDA 1988-1992;
ØJOÃO
BOSCO LACERDA DE ALENCAR 1993-1996;
ØANTONIO
VALDIR GONÇALVES 1997-2000;
ØJOÃO
BOSCO LACERDA DE ALENCAR 2001-2004;
ØJOÃO
BOSCO LACERDA DE ALENCAR 2005-2008;
ØRONALDO
ALENCAR SAMPAIO 2009-2012;
ØANTONIO
CARLOS PEREIRA 2013...
Assim,
se passaram os anos por essas terras, viveram e ainda vivem seus filhos, o povo
Granitense.
Deixo
aqui minha contribuição para a posteridade, acredito que todo ser humano deve viver com um propósito, completo aqui o meu. A história serve para responder
duas questões existências de extrema relevância na vida do ser humano, de onde
viemos e quais as nossas origens, serve também para que a memória de pessoas
como o Padre José Modesto Pereira de Brito não se perca na amnésia do tempo,
para que os grandes feitos dos homens não sejam apagados. Deixo aqui o meu abraço as gerações
vindouras, o futuros vos pertence, todavia, o presente e o passado pertencem o
nós todos.
FONTES:
Diccionario
Tophográfico, Estatístico e Histórico da Província de Pernambuco,
1863. Fonte primária.
Padres
do Interior II, Francisco José P. Cavalcante. Fonte
Secundária. Arquivo da Diocese de Petrolina, livro de Patrimônios da Matriz de
Nossa Senhora do Bom Conselho, livro de Párvulos, livro de óbitos de adultos.
Fonte secundária.
Relatórios
da Presidência do Província de Pernambuco a assembleia legislativa,
impresso pela tipografia do Jornal do Recife de 1832 a 1888. Em microfilmagem.
Fonte primária.
Instituto
Brasileiro de Geografia e estatística (IBGE
Jornal do Sec. XIX, O CONSERVADOR.
Objetos
líticos, cemitério de pedra seca indígena no povoado do Mata
Boi. Inscrições rupestres no Riacho da Jangada. Artefatos históricos de pedra
polida. Fontes primárias.
Diário
Oficial de Pernambuco. Microfilmagem disponível em diário
oficial eletrônico de Pernambuco de 1936 aos dias atuais. Fonte primária.
Fotos de acervos
doméstico de Cidadãos locais.
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